Nascida dos escombros de duas guerras mundiais para garantir que a força da lei prevalecesse sobre a lei da força, a Carta das Nações Unidas consolidou-se como o verdadeiro guia de sobrevivência da humanidade, segundo o secretário-geral.  

 

Em uma sessão do Conselho de Segurança, nesta segunda-feira, sobre o fortalecimento do sistema internacional centrado na ONU, António Guterres explicou que durante décadas, os princípios da Carta serviram como uma espécie de freio. 

 

Fim de conflitos arrasadores 

Um desses freios foi acionado contra a corrida armamentista nuclear. Outros ajudaram a mediar o fim de conflitos arrasadores, impulsionar os direitos humanos, mas, acima de tudo, a evitar uma Terceira Guerra Mundial.  

 

António Guterres disse que atualmente o mundo está testemunhando uma perigosa erosão do respeito pelo direito internacional, ao expor sete ameaças imediatas que se interconectam. 

 

UN Photo/Mark Garten
António Guterres em frente ao Conselho de Segurança

 

Ele apontou divisões geopolíticas profundas que paralisam o Conselho de Segurança, a proliferação de conflitos complexos da Ucrânia e Gaza ao Sudão, uma corrida armamentista desestabilizadora turbinada pela Inteligência Artificial. 

 

As ameaças incluem ataques sistemáticos aos direitos humanos, o abafo financeiro que prejudica o desenvolvimento e a aceleração da crise climática. 

 

Frentes fundamentais  

Para evitar que o mundo fracasse diante desta combinação de efeitos que formam o que em inglês se chama de “tempestade perfeita”, o sistema multilateral precisa urgentemente ser fortalecido através de ferramentas práticas divididas em três frentes fundamentais.  

 

O foco da primeira é a prevenção e mediação ativa, usando em boa-fé mecanismos já existentes como arbitragem, conciliação e a boa influência e o conhecimento de trabalhadores da organização para evitar tensões antes que elas se transformem em violência aberta.  

 

A segunda exige o cumprimento irrestrito e sem duplos critérios do direito internacional e humanitário, garantindo a responsabilização severa por quaisquer violações.  

 

Por fim, a terceira e mais crucial das ferramentas é a reforma profunda das instituições globais para que reflitam a realidade geopolítica atual, e não a de 1945, corrigindo “injustiças históricas” urgentes como a falta de representação permanente para a África no Conselho de Segurança. 

 

Pacto para o Futuro e Iniciativa ONU80 

Guterres disse que embora o Pacto para o Futuro e a Iniciativa ONU80 busquem tornar a máquina multilateral mais ágil, eficaz e inclusiva abrindo espaço para mulheres, jovens e reestruturando a arquitetura financeira global, nenhuma reforma estrutural substitui a vontade política.  

 

Para o secretário-geral, a força da Carta da ONU para a humanidade reside inteiramente no compromisso ético e prático daqueles que têm o dever de a fazer respeitar, com destaque para as potências que integram o Conselho de Segurança.  

 

Em momento de maiores investidas militares em escala e a impunidade ameaça virar as regras, o mundo exige ações concretas e compromissos autênticos. 

 

O líder das Nações Unidas mencionou a importância de se reafirmar que o respeito à integridade territorial, a proibição do uso da força e a busca por soluções pacíficas continuam sendo a única rota viável para a paz e a segurança global. 

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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