Portugal está determinado a combater o que chamou de “masoquismo coletivo” buscando soluções e consensos para enfrentar as atuais crises política e econômica que afetam o globo e acabar com elas “rapidamente”.
A declaração foi dada pelo primeiro-ministro do país, Luís Montenegro, em seu discurso à Assembleia Geral como parte do debate anual de líderes internacionais, em Nova Iorque. Ao citar conflitos e guerras nos quatro cantos do globo, ele lembrou que todos eles têm consequências para as pessoas.
Nenhum país está imune
“A crise energética e a escalada do preço dos combustíveis que enfrentamos, devido aos conflitos internacionais, afetam todos os nossos povos. Todos mesmos são prejudicados. Da Ásia à Europa, da África às Américas, não há nenhum país que seja imune. Tem impacto econômico e social grave e estão já a ter consequências indesejáveis. Para todos nós e para as partes mais diretamente envolvidas. Esta á uma crise insensata porque é má para todos. E nós temos que acabar com essa espécie de masoquismo coletivo.”
Luís Montenegro mencionou o conflito entre Israel e palestinos, a guerra no Sudão, na Ucrânia e os confrontos com o Irã e outras partes enfatizando que o mundo precisa mais do que nunca, investir num diálogo para a paz.
Portugal prioriza energia renovável
Para o líder português, é preciso discutir um mecanismo de formação do preço internacional do petróleo para evitar a dependência e especulação que existem em momentos de crise.
Nas Nações Unidas, Portugal tem liderado várias iniciativas de paz e segurança, atuando em missões na África, e de desenvolvimento sustentável. O país europeu abrigou a Conferência dos Oceanos, em 2022, e tem investido fortemente nas economias verde e azul, promovido ação climática e redução crescente de emissões de dióxido de carbono na atmosfera.
“Partilho convosco que Portugal sente, de perto, os impactos devastadores das alterações climáticas. Isso acontece na multiplicação dos incêndios florestais, no fenômeno da erosão costeira, na degradação dos ecossistemas marinhos. E também agora, e muitas vezes, com fenômenos extremos, novos, com imprevisíveis, tempestades, ventos e cheias repentinas. Por isso, temos uma perspectiva estratégica na transição energética. Mais de 70% da nossa produção de energia é de origem renovável.”
O secretário-feral António Guterres esteve com o primeiro-ministro Luís Montenegro em Lisboa.
Protagonismo da língua portuguesa
O primeiro-ministro de Portugal abordou ainda uma questão defendida por todos os países de língua portuguesa que é o protagonismo do idioma nas Nações Unidas, com vista a fazer do português, língua oficial da organização.
“A língua portuguesa é o idioma mais falado no hemisfério sul com quase 300 milhões falantes em todo o mundo. Merece por isso um maior protagonismo também nas Nações Unidas. É uma língua de cultura e de negócios que, em quatro continentes, um dos membros da comunidade de países de língua portuguesa, que este ano celebra 30 anos. E que manifestamente um espaço de diálogo e de cooperação, fundado numa história comum e numa língua partilhada.”
Nações Unidas, obra-prima
Para o líder do Governo de Portugal, Luís Montenegro, as Nações Unidas continuam sendo uma “obra-prima política da humanidade” e o mundo precisa investir em esperança para criar um futuro melhor.
Segundo ele, os Estados-membros da ONU devem produzir juntos soluções para desafios coletivos. Ele lembrou que Portugal tem feito a sua parte, e que em 2027, o país retornará a um assento rotativo do Conselho de Segurança com três focos:
“A partir de janeiro, Portugal levará para o Conselho de Segurança, como membro não-permanente, uma vocação global e uma cultura de diálogo e de construção de pontes. Estamos profundamente gratos pela confiança que em nós foi depositada, por todos, e estamos muito conscientes da responsabilidade que daí decorre. Conhecemos bem os desafios com o que se confrontam os países menos avançados e os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento. No Conselho de Segurança, Portugal estará empenhado em três grandes prioridades: prevenir, cooperar e proteger.”
Portugal retornará como membro rotativo do Conselho de Segurança da ONU, em janeiro de 2027
Bolsa de Valores de Nova Iorque
O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, participou de vários encontros na sede da ONU como também em Nova Iorque, onde tocou o sino que abre o pregão da Bolsa de Valores da cidade destacando o seu país como um destino de investimentos estrangeiros.
Montenegro também falou à ONU News em uma entrevista sobre o futuro da língua portuguesa, planos de Portugal no Conselho de Segurança, cooperação com países lusófonos e esforços para a paz.
*Monica Grayley é editora-chefe da ONU News Português.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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