Para o presidente do Timor-Leste, José Ramos Horta, o cenário atual é de “total impunidade” frente a dezenas de milhares de mortes em conflitos armados pelo mundo. A declaração foi dada à ONU News nesta quarta-feira, em Nova Iorque.

O político timorense e Prêmio Nobel da Paz, que participa do Debate Geral de líderes internacionais nas Nações Unidas, encerrou seu discurso citando 10 crianças de seu país, que enviaram perguntas aos chefes de Estado e de Governo reunidos em Nova Iorque.

“Onde está o ser humano?”

Segundo a ONU, 2025 registrou o maior número de conflitos armados da história desde a Segunda Guerra Mundial. E para Ramos Horta, é muito grave que a perda de vidas em conflitos pelo globo tenha se transformado em estatísticas sem uma face humana.

“Fala-se em cerca de 79 mil. Cerca de 80 mil, cerca de 150 mil. Tornou-se banal, como se fosse normal. É isto a que este mundo chegou: chegamos ao lamaçal da moral. Quando fazemos referência a crianças que morrem, mulheres que morrem em Gaza ou no Sudão. Falamos de milhares. Como se fossem em animais, pedras. Isto é que é perigoso. Onde é que está o ser humano?”.

Nesta conversa exclusiva com a ONU News, José Ramos Horta contou que a ideia de trazer a voz de crianças e adolescentes timorenses para a Assembleia Geral foi algo espontâneo, e que ele espera que os líderes internacionais reflitam sobre este apelo promovendo paz em todas as partes do globo.

Quando perguntado sobre liderança e o futuro das Nações Unidas, o presidente do Timor-Leste repetiu a declaração de seu discurso na Assembleia Geral dizendo que é hora de uma mulher assumir o comando da ONU como secretária-geral, 80 anos após uma série de secretários-gerais homens.

Ramos Horta acredita que esse passo histórico pode trazer uma nova era também para a diplomacia.

“Eu acho que os Estados-membros sobretudo os cinco permanentes (membros do Conselho de Segurança: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia), em relação a alguns países como a Inglaterra e a França já deram como demonstração de muita abertura, sem qualquer hesitação, que uma mulher seja presidente da República ou presidente do Parlamento, em seus países. Mas alguns países ainda têm alguma reticência. Mas depois de 80 anos da existência da ONU e de secretários-gerais, todos eles bons. Cada um foi bom na sua época. É altura de escolhermos uma mulher porque há muitas mulheres pelo mundo com enormes qualidades.”

O processo para escolher a pessoa que deve ocupar o posto de secretário-geral da ONU está ocorrendo desde julho. O Conselho de Segurança já realizou várias reflexões sobre os nomes, conhecidas como “eleições de palha”. 

Até o momento, existem quatro mulheres e três homens concorrendo. O nome vencedor das eleições assumirá o posto deixado por António Guterres em 31 de dezembro deste ano para um mandato de cinco anos.

*Monica Grayley é editora-chefe da ONU News Português

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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