A intensificação dos ataques russos causou mortes em níveis recordes em setembro, enquanto os danos às infraestruturas energéticas agravam a vulnerabilidade das famílias ucranianas às vésperas da chegada do inverno.

O alerta consta da atualização mensal da Missão dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia sobre os danos causados à população, que adverte para os impactos arrasadores do conflito sobre os civis.

Kyiv alvo de ataques cada vez mais frequentes 

A missão apurou que pelo menos 328 civis foram mortos e 2.105 ficaram feridos em setembro. O número total de vítimas representa um aumento de 85% face ao registado no mesmo mês do ano passado.

Houve mortes e ferimentos entre a população de 22 regiões ucranianas. A cidade de Kyiv registou um número particularmente elevado de vítimas, enquanto comunidades de Kherson, Kharkiv, Sumy e Zaporizhzhia também foram fortemente atingidas por ataques russos.

Na capital, as mortes ocorreram em 22 dos 30 dias de setembro, mais frequentemente do que em qualquer outro mês desde o início da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022.

© ONU Ucrânia
Detritos são removidos após um ataque de drone em uma área residencial de Kiev, em 12 de outubro.

Ofensivas intensas marcam outubro

As duas primeiras semanas de outubro figuraram entre os períodos mais letais para os civis dos últimos anos, afirmou Danielle Bell, responsável pela Missão.

Segundo ela, em poucos dias, as ofensivas russas provocaram incidentes com um elevado número de vítimas, de Kharkiv e Zaporizhzhia a Kramatorsk e Kyiv.

Os números confirmados referentes a setembro incluem 18 civis mortos e 44 feridos em território ucraniano ocupado pela Rússia. Danielle Bell alertou que o número real de vítimas pode ser significativamente mais elevado.

Infraestruturas críticas são alvo de ataques sistemáticos

A Rússia voltou a intensificar os ataques às infraestruturas energéticas em toda a Ucrânia. Nos dias 13 e 14 de outubro, forças russas atingiram três centrais elétricas na região da capital ucraniana. De acordo com as autoridades do país, 600 mil pessoas ficaram temporariamente sem eletricidade.

Paralelamente, as Forças Armadas ucranianas também atacaram infraestruturas de eletricidade e aquecimento em território ocupado e na Rússia, num total de cerca de 80 ataques com sistemas não tripulados.

Com a aproximação do inverno, Danielle Bell alertou que a continuação dos ataques sistemáticos às infraestruturas energéticas provocará sofrimento significativo entre a população civil.

© UNICEF/Oleksii Filippov
Famílias se abrigam em uma estação de metrô de Kiev durante um ataque aéreo noturno na capital ucraniana.

Ucranianos enfrentam risco de deslocação

Os efeitos cumulativos da violência continuam a sobrecarregar as comunidades ucranianas, que enfrentam a deterioração dos serviços essenciais, a perda de rendimentos e danos significativos nas habitações.

A Organização Internacional para Migrações, OIM, estima que cerca de 3,6 milhões de pessoas permanecem deslocadas internamente na Ucrânia, enquanto cerca de 3,8 milhões regressaram aos seus locais de residência após terem sido deslocadas desde fevereiro de 2022.

A organização sublinha que muitas famílias não dispõem dos meios necessários para suportar os custos do aquecimento. Apenas 32% das famílias afirmaram ser capazes de aquecer adequadamente as suas casas. Nas áreas próximas da linha da frente, esta percentagem desce para 25%.

Com a aproximação do inverno, a margem para agir está a diminuir, afirmou Arthur Erken, diretor regional da OIM. O responsável acrescentou que é fundamental disponibilizar apoio adicional antes que o inverno agrave as necessidades e coloque mais famílias em risco de deslocação.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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