O Sudão é talvez o pior lugar hoje para uma criança crescer e focar num futuro de esperança. A declaração é do vice-porta-voz do Unicef, Ricardo Pires.
O país africano está em guerra desde abril de 2023, quando tropas do governo sudanês e paramilitares da Força de Reação Rápida, RSF, entraram em confronto.
Crianças e mulheres
Esta semana, um ataque com drones matou mais de 50 pessoas incluindo 15 crianças. Uma das áreas afetadas foi o estado de Cordofão do Sul, que estava isolado há mais de dois anos nos combates.
Nesta entrevista à ONU News, Ricardo Pires afirmou que os líderes internacionais precisam olhar para as vítimas desta guerra.
“O Sudão é uma crise que deveria estar fazendo com que todos nós não conseguíssemos dormir à noite se fôssemos parar para pensar realmente no sofrimento de milhares de crianças, de mulheres e famílias por quase três anos. E para a gente tentar sensibilizar, a gente tem que continuar a informar, a passar os números e conversar com jornalistas como estou fazendo aqui. Mas também que as lideranças internacionais falem um pouco mais da situação no Sudão.”
Nesta quinta-feira, o Conselho de Segurança da ONU se reúne para debater o tema.
Comboio com remédios e alimentos
Segundo o Unicef, a maior parte das vítimas no conflito do Sudão é de crianças e mulheres. E um dos maiores empecilhos ao socorro humanitário é a falta de acesso. Um grupo de agências montou um comboio da ONU com itens vitais para duas cidades de Cordofão do Sul: Dilling e Kadugli. A linha de auxílio incluiu 26 caminhões com remédios, alimentos, água e kits de higiene para 130 mil pessoas.
Um dos maiores riscos de morte são malnutrição e infecções incluindo malária e tuberculose.
Um comboio conjunto das Nações Unidas, liderado pelo WFP, pelo Unicef e pelo Pnud, entrega ajuda vital a comunidades isoladas nos estados do Cordofão do Sul, no Sudão
Países vizinhos
Ainda esta semana, a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, lançou um apelo de 1,6 bilhão de dólares para socorrer quase 6 milhões de sudaneses nos países vizinhos.
A estimativa para este ano, é de mais de 470 mil pessoas atravessando as fronteiras para fora do Sudão tentando fugir do fogo cruzado.
A segurança no estado do Nilo Azul também piorou nos últimos meses com a retomada de combates o risco de escalada à medida que os grupos armados se movimentam nas partes do sul e do oeste do estado. Países como Chade, Uganda, Sudão do Sul já demonstraram preocupação com os combates além da área da fronteira com a Etiópia.
O especialista em comunicação do Unicef, Ricardo Pires, destaca a gravidade da situação.
Condições catastróficas
“Realmente, a gente está muito preocupado com o que a gente tem visto. São mais de 33 milhões de pessoas, no Sudão hoje, em necessidade urgente de ajuda humanitária. Metade delas são crianças. Estima-se que mais de 825 mil crianças sofram de desnutrição aguda grave este ano, em 2026. Essa é a projeção devido às condições catastróficas em várias partes do país. Também a falta de acesso que as agências com Unicef e outras agências humanitárias estão tendo nas áreas mais afetadas.”
Outra preocupação da agência da ONU é com o aumento de casos de violência sexual no conflito vitimando mulheres e crianças.
Ricardo Pires lembrou que muitos sudaneses ainda guardam os traumas do conflito em Darfur, há 20 anos, e que os efeitos dos combates já duram uma geração inteira.
O vice-porta-voz do Unicef ressalta que as crianças sudanesas assim como menores em outros conflitos precisam de paz para crescer e se desenvolver de forma segura e saudável. E que é obrigação de todos apoiar essas crianças.
*Monica Grayley é editora-chefe da ONU News Português.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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