A Análise mais recente da Classificação Integrada de Fases da Segurança Alimentar, IPC, na Somália aponta para uma deterioração significativa da situação desde agosto de 2025.

O quadro trágico é impulsionado pela seca agravada, conflito persistente, deslocamentos populacionais e preços elevados dos alimentos.

6,5 milhões em situação de crise ou pior

Após progressos temporários associados a melhores períodos de chuva em 2023 e 2025, a fraca precipitação entre outubro e dezembro passados resultou em colheitas fracassadas nas regiões agro-pastoris e ribeirinhas, bem como na rápida escassez de pastagens e água.

Durante a estação seca de Jilaal, entre fevereiro e março de 2026, estima-se que 6,5 milhões de pessoas, cerca de 33% da população analisada, estejam em Fase 3 ou superior da IPC, considerada situação de crise ou mais grave.

Deste total, mais de 2 milhões de pessoas encontram-se na Fase 4, enfrentando lacunas alimentares críticas e níveis elevados de malnutrição aguda. Cerca de 4,45 milhões estão na Fase 3, incapazes de satisfazer necessidades alimentares essenciais.

Em janeiro de 2026, mais de 4,8 milhões de pessoas já enfrentavam níveis elevados de insegurança alimentar, incluindo aproximadamente 1,2 milhão em Fase 4, representando um aumento de 41% face ao mesmo período de 2025.

Uma mulher com seu filho de um ano, que está sendo tratado por desnutrição em Dollow, Somália. Mais 4,4 milhões de pessoas em todo o país correm o risco de cair na fome e na desnutrição

Produção agrícola em mínimos históricos

A temporada de chuvas de 2025 falhou na maior parte do país, com precipitação substancialmente abaixo da média. 

A produção de cereais no sul da Somália é estimada em 15,6 mil toneladas, o nível mais baixo desde 1995 e 83% abaixo da média de longo prazo.

A escassez de pastagens e água afetou amplamente os meios de subsistência. A deterioração das condições do gado, a baixa taxa de reprodução e a redução significativa da produção de leite limitaram o acesso a alimentos e rendimentos.

Deslocamentos e insegurança

Cerca de 3,4 milhões de pessoas permanecem deslocadas internamente na Somália. Entre julho e dezembro de 2025, aproximadamente 278 mil pessoas foram deslocadas, principalmente devido a conflito.

No ano passado, foram registrados 5.645 incidentes de segurança no país, um aumento de 75% face a 2024, resultando em 4.130 mortes. 

Entre dezembro de 2025 e março de 2026, projeta-se que cerca de 212 mil pessoas sejam deslocadas internamente, das quais 64% devido à seca e 36% devido a conflito.

Uma família em um campo para deslocados em Jubaland, na Somália

1,84 milhões de crianças com malnutrição aguda

O relatório estima que, este ano, 1,84 milhões de crianças entre 6 e 59 meses sofram de malnutrição aguda, incluindo 483 mil casos de malnutrição severa, que requer tratamento médico urgente.

Em janeiro, 18 dos 48 distritos analisados estavam classificados em Fase 4 e 19 em Fase 3. Prevê-se que o número de áreas em Fase 3 e 4 aumente para 38 entre fevereiro e março, e para 45 entre abril e junho, período que coincide com o pico sazonal da malnutrição no país.

Segundo a análise, deslocados internos estão entre os grupos mais afetados, enfrentando deterioração significativa do estado nutricional, agravada pela insegurança alimentar, elevada prevalência de doenças e acesso reduzido a serviços de saúde e nutrição.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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