O Conselho de Segurança debateu na sexta-feira a piora da situação no Iêmen. Com mais confrontos e a crise dos serviços básicos, altos funcionários alertam que a janela para evitar uma catástrofe ainda maior está se fechando rapidamente.
O vice-secretário-geral assistente da ONU para os Assuntos Humanitários enfatizou o alerta ao Conselho de que a crise humanitária piorou drasticamente”.
Além-fronteiras, a crise afeta todo o Oriente Médio
disse ainda que “a falta de ação contínua custará vidas.”
País mais pobres do mundo
Nas últimas semanas, o país já classificado pelo Fundo Monetário Internacional, FMI, como o mais pobre do mundo viu a violência escalar vertiginosamente.
Para o enviado especial da ONU, Hans Grundberg, o Iêmen “retrocedeu para uma guerra em grande escala”, com confrontos se espalhando por várias frentes e forçando famílias a fugirem sem economias ou opções de segurança.
Pelas estatísticas apresentadas ao Conselho de Segurança, o impacto do conflito sobre a população civil é arrasador.
Os iemenitas continuam pagando o preço mais alto pelas decisões militares com 200 mil novos deslocados apenas desde o início de agosto. Trata-se do maior nível de deslocamento desde a trégua de 2022.
O conflito em números
Estima-se que até 4 mil refugiados escolheram migrar por mar. Elas optaram pela “escolha impossível” de arriscar a vida ou perder tudo, cruzando o perigoso Estreito de Bab el-Mandeb em busca de segurança no Djibouti e na Somália.
Aproximadamente 2,2 milhões de crianças menores de cinco anos sofrem de desnutrição aguda. Pelo menos 250 escolas foram fechadas impedindo 137 alunos de ter acesso a programas essenciais de alimentação.
Milhares cruzam o perigoso Estreito de Bab el-Mandeb em busca de segurança no Djibouti e na Somália
Nessa realidade, até 46 civis foram mortos e mais de 130 ficaram feridos desde agosto. Destes, mais da metade dos mortos e um terço dos feridos são crianças.
Escalada militar e geopolítica
Com as frentes de batalha inflamando de forma mais intensa, o grupo Ansar Allah, como são conhecidos os houthis, avançou sobre a área de Mokha e a costa de Bab al-Mandeb. A situação gerou combates nas montanhas ao sul e oeste da cidade de Taiz e se estendendo para Lahj.
No início desta semana, o governo iemenita lançou uma contraofensiva em grande escala, relatando a retomada de áreas ao redor de Bab al-Mandeb. Os combates também se intensificaram em Marib, al-Jawf e Hajjah.
Além-fronteiras, a crise afeta todo o Oriente Médio. Os houthis realizaram ataques mortais à infraestrutura civil e energética na Arábia Saudita em ações fortemente condenadas pela ONU.
As ameaças a navios comerciais ligados aos sauditas no Mar Vermelho continuam a minar a liberdade de navegação global.
Rotas de comércio marítimo
Para Grundberg, essas ameaças estão se emaranhando com o confronto mais amplo pelo controle das rotas de comércio marítimo e as pressões sobre o mercado internacional de energia.”
O bairro de Al Gahmalyya, na cidade de Taiz, no Iêmen, foi severamente danificado como resultado de anos de conflito
O mediador reforçou que, embora a pressão militar reforce a alavancagem política, os ganhos no campo de batalha não podem substituir as negociações necessárias para encerrar a guerra.
O sistema de saúde do Iêmen está à beira do colapso absoluto, com o aumento de casos suspeitos de cólera e sarampo. Apesar de a ONU ter conseguido fornecer assistência emergencial a 131 mil deslocados, a resposta humanitária é sufocada. O apelo de financiamento para o país foi coberto em apenas 22% da meta.
Outro agravante é o sequestro de trabalhadores. Mesmo com a libertação de um detido da ONU pelos houthis tenha sido vista como um passo positivo, 72 deles estão sob detenção arbitrária, sem avanço significativo para a sua soltura.
Pela comunidade humanitária, Yahya fez um apelo diante do Conselho: “Abram as estradas. Deixem os trabalhadores humanitários fazerem o seu trabalho. Deixem as pessoas acessarem o alívio de que foram forçadas a precisar.”
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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