O Haiti enfrenta uma escalada de violência armada, insegurança alimentar extrema e um prazo político crítico. Vastas áreas do território estão controladas por gangues armadas num país que depende de esforços urgentes para restaurar a segurança e avançar na transição democrática.

A situação no Haiti foi tema prioritário na agenda internacional, em 21 de janeiro, quando o Conselho de Segurança da ONU realizou sua primeira reunião do ano para atualizar os embaixadores sobre a situação no terreno. 

A violência intensificou-se e se expandiu geograficamente, nos últimos meses de 2025, agravando a insegurança alimentar e a instabilidade, enquanto os arranjos de governança transitória se aproximam do fim e as eleições atrasadas permanecem urgentes.

Um membro de uma gangue posa com um fuzil de alto calibre no bairro de Delmas 3, em Porto Príncipe

Crise aprofundada atinge fase crítica

A crise aprofundada do Haiti alcançou uma fase crítica. A transição política está prevista para expirar em 7 de fevereiro. E autoridades alertaram que a violência crescente, as redes criminosas entrincheiradas e as necessidades humanitárias podem empurrar a nação caribenha para maior instabilidade, a menos que os esforços de segurança e políticos sejam sustentados com urgência.

Carlos Ruiz Massieu, chefe do Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti, Binuh, afirmou que o país entrou em uma “fase crítica” nos esforços para restaurar instituições democráticas, convocando os atores haitianos a conter a fragmentação política e priorizar as eleições. 

Ele declarou que “o país não tem mais tempo a perder com lutas internas prolongadas”, enfatizando a necessidade de continuidade dos arranjos de governança além do prazo de fevereiro e de coordenação sustentada para encerrar a transição.

Ruiz Massieu destacou que os recentes passos rumo às eleições são encorajadores, citando a adoção de um decreto eleitoral em 1º de dezembro e a publicação de um calendário para as urnas no mesmo mês. 

Novas disposições sobre registo de eleitores, participação de votantes no exterior e representação feminina podem aumentar a integração, se implementadas de forma eficaz, acrescentou.

Violência armada ameaça tecido social

A violência armada se intensificou nos últimos três meses de 2025 e continua a moldar o dia a dia dos haitianos. 

Gangues com armas pesadas utilizam violência sexual e sequestros para resgate como ferramentas de controle, enquanto operações policiais, por vezes apoiadas pela Força de Supressão de Gangues respaldada pelo Conselho de Segurança da ONU, conseguiram avanços táticos limitados, abrindo algumas rotas principais. 

Apesar desses ganhos, os assassinatos permanecem generalizados, sobretudo fora da capital, e as represálias contra civis continuam. 

Segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, “mais de 8.100 homicídios foram documentados em todo o país entre janeiro e novembro de 2025.” 

Relatos também indicaram aumento no tráfico de crianças, com menores sendo utilizados por gangues em diversas funções, inclusive em ataques violentos.

A transição política do Haiti se aproxima de um prazo crítico. Um decreto eleitoral e um calendário agora apontam para a possibilidade de eleições que permitam a instalação de um presidente e de um órgão legislativo eleitos no início de 2027.

A cidade de Les Cayes, no sul do país, está inundada devido ao furacão Melissa em outubro de 2025

Necessidades humanitárias atingem níveis sem precedentes

As condições humanitárias continuam a se deteriorar, com déficits de financiamento limitando o alcance da assistência que salva vidas. A insegurança alimentar afeta 5,7 milhões de pessoas, sendo quase dois milhões em níveis de emergência. 

O deslocamento dobrou em um ano, alcançando 1,4 milhão de pessoas. Muitas unidades de saúde funcionam precariamente e a cólera segue como uma preocupação importante de saúde pública. No ano letivo de 2024-25, 1,6 mil escolas fecharam devido à violência, deixando 1,5 milhão de crianças sem acesso à educação.

Mulheres e meninas entre as mais afetadas

Mulheres e meninas estão entre as mais impactadas pela crise. As gangues utilizam rotineiramente violência sexual, inclusive estupros coletivos, como instrumento de intimidação e controle. 

A subnotificação persiste devido ao medo e ao estigma, e o acesso a serviços centrados nas sobreviventes permanece limitado, agravando o trauma e a impunidade.

A ONU tem reiterado que a restauração da segurança é essencial, mas insuficiente por si só. Sem avanços na governança, justiça, responsabilização e serviços sociais, especialmente para os jovens, quaisquer ganhos de segurança serão frágeis. 

O consenso nacional e o apoio internacional sustentado são fundamentais para romper o ciclo de violência e instabilidade. 

Muitas crianças no Haiti estão lutando para manter seus estudos

O Binuh oferece monitoramento de direitos humanos, assistência eleitoral e apoio ao desenvolvimento policial. 

As agências humanitárias da ONU entregam ajuda vital às comunidades mais vulneráveis. O Plano de Resposta Humanitária para 2026 busca US$ 880 milhões para assistir 4,2 milhões de pessoas. 

Estão em andamento os preparativos para o recém-criado Escritório de Apoio das Nações Unidas no Haiti, que fornecerá suporte logístico e operacional à Força de Supressão de Gangues.

*Daniel Dickinson é redator-sênior da ONU News.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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