O secretário-geral da ONU abordou os protestos pelo mundo, realçando que as pessoas estão fazendo suas vozes serem ouvidas. Para António Guterres, das ruas da Europa aos países em desenvolvimento, cidadãos comuns enfrentam uma implacável crise no custo de vida.
Ele disse que em todos os lugares, as pressões aumentam sobre o preço dos alimentos, dos combustíveis e de outros itens básicos. As taxas de juros subiram, tanto para as pessoas quanto para os países. E, para os jovens, a promessa de um futuro melhor está ficando cada vez mais distante.
Agitações globais
Para o líder das Nações Unidas, a frustração transbordou para as ruas, provocando agitações globais.
Agências de notícias informaram que, na França, houve pelo menos duas mortes, mais de 2 mil prisões, saques generalizados e toques de recolher locais em grandes cidades como Paris, Lyon e Marselha.
Guterres indica que a expectativa é de que governos e instituições internacionais cumpram seu papel e ofereçam resultados
Em Lisboa, Portugal, Madri e outros centros urbanos na Espanha, dezenas de milhares marcharam em protesto contra as graves crises de acesso à moradia.
Já a Itália viu manifestações sobre o alto custo de vida em Milão e Bolonha se tornarem desordenadas, levando a polícia a usar gás lacrimogêneo e canhões de água.
Na Albânia, as manifestações escalaram para confrontos violentos, com a polícia disparando balas de borracha contra a multidão.
Protestos anti-imigrantes e tensões crescentes
Na Ásia, o Irã enfrentou manifestações econômicas após quedas repentinas de sua moeda. Na África do Sul, protestos anti-imigrantes e tensões crescentes em Durban resultaram em vítimas graves durante marchas, segundo o relato das agências.
Guterres disse que, embora o desespero que impulsiona esses movimentos seja profundo, a violência e a destruição nas ruas permanecem inaceitáveis. Os responsáveis por atividades criminosas devem ser responsabilizados por seus atos.
Ele ilustrou que no clima, o El Niño, conhecido como um distúrbio localizado que altera padrões climáticos e vidas a milhares de quilômetros de distância, é agora observado como o que chamou de um autêntico “El Niño da guerra”.
Para o líder das Nações Unidas, a frustração transbordou para as ruas, provocando agitações globais
No entanto, ele apontou a instabilidade econômica como apenas metade da crise, numa realidade de conflitos globais que não estão apenas se intensificando, mas se expandindo.
Infraestruturas essenciais
Segundo ele, conflito alimenta o conflito. E os efeitos estão se espalhando para mais longe e mais rápido. Do Oriente Médio à Ucrânia e ao Sudão, ele disse que se observam civis e infraestruturas da população sendo deliberadamente colocados na linha de fogo.
Os locais afetados incluem lares, hospitais, escolas, aeroportos e instalações de energia, rotineiramente alvos de destruição.
Ele disse que a tensão crescente no Oriente Médio e além ameaça diretamente a segurança energética e alimentar global, intensificando as mesmas pressões de custo de vida que estão levando as pessoas às ruas e atingindo os mais vulneráveis com ainda mais força.
Guterres cobrou ação de autoridades globais contra desigualdades e em favor da diplomacia
Guterres quer que seja reconhecida uma falha mais profunda e sistêmica quando tais choques atingem um mundo que já é profundamente desigual: poucos privilegiados podem absorver preços mais altos sem esforço, enquanto milhões de outros são forçados a escolher entre comprar comida e aquecer suas casas.
Estabilizar a crise
Ele defende que é preciso impedir a expansão dessas guerras, proteger os civis e cobrar o espaço político necessário para a diplomacia e a paz.
Para as pessoas que exigem segurança básica e dignidade em todos os lugares, Guterres indica que a expectativa é de que governos e instituições internacionais cumpram seu papel e ofereçam resultados.
Como forma de estabilizar a crise, o apelo aos líderes globais é que encarem as desigualdades que dividem as sociedades, travando os conflitos em cascata que multiplicam o sofrimento, elevam os preços, drenam recursos essenciais ao desenvolvimento global e afastam ainda mais um mundo que já se encontra fraturado.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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