O conflito no Oriente Médio atinge a marca de 10 dias com consequências cada vez mais graves. Nos últimos dias, houve vários incidentes incluindo “chuva tóxica”, aumento do preço do petróleo e abalos na estrutura do comércio global.
As tensões militares no Irã levaram a interrupções na navegação no Estreito de Ormuz. O local é uma passagem crucial para o comércio global. A crise está impactando o fornecimento global de energia, o comércio de fertilizantes e a estabilidade econômica.
Petróleo a mais de US$ 90 por barril
De acordo com uma análise da ONU Comércio e Desenvolvimento, Unctad, o estreito corredor marítimo localizado na costa iraniana transporta aproximadamente um quarto do comércio global de petróleo pelo mar, além de grandes volumes de gás natural.
A análise indica que após a escalada militar na região, o fluxo de navios diminuiu e o preço do petróleo chegou a mais de US$ 90 por barril. Além disso, os valores de frete, seguro e combustível marítimo estão aumentando, o que pode gerar aumento do preço dos alimentos e do custo de vida em geral.
A Unctad alerta que cerca de um terço do comércio global de fertilizantes por via marítima passa pelo Estreito, o que aumenta as preocupações dos países em desenvolvimento que já enfrentam altos níveis de endividamento e capacidade limitada para absorver novos choques de preços.
Um navio-tanque transporta petróleo pelo mar
“Chuva preta” em Teerã
A guerra também está sendo marcada por ataques a depósitos de petróleo que além de abalar a economia, causam preocupações de saúde, devido à dispersão de poluentes tóxicos no ar.
Falando a jornalistas em Genebra, o porta-voz da Organização Mundial da Saúde, OMS, abordou o assunto.
Christian Lindmeier alertou que a “chuva ácida” e a “chuva preta” que têm caído em Teerã após os ataques “representam, de fato, um perigo” para os iranianos. Segundo especialistas, ela contém outros poluentes prejudiciais, além de ácidos.
A agência da ONU também está monitorando os riscos à saúde decorrentes da “liberação maciça” de hidrocarbonetos tóxicos, óxidos de enxofre e compostos de nitrogênio na atmosfera.
Contaminação da água
Lindmeier afirmou que relatos de ataques a infraestruturas petrolíferas no Bahrein e na Arábia Saudita também aumentaram as preocupações com uma “exposição regional mais ampla à poluição”, destacando os efeitos a longo prazo dos poluentes, que afetam a saúde respiratória e contaminam a água.
Já a porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Ravina Shamdasani, expressou preocupação com os impactos na saúde e no meio ambiente dos ataques israelenses e americanos a depósitos de petróleo em Teerã
Ela afirmou que esses impactos suscitam “sérias questões sobre se as obrigações de proporcionalidade e precaução previstas no direito internacional humanitário foram cumpridas” nos ataques, ressaltando que os locais atingidos “não parecem ser de uso exclusivamente militar”.
Agência da ONU alerta para uma alta acentuada de preços dos alimentos e dos combustíveis que é impulsionada pela escalada do conflito
Fuga no Líbano
No Líbano, mais de 100 mil pessoas foram deslocadas por ataques israelenses e ordens de evacuação nas últimas 24 horas, elevando o número total de pessoas desalojadas pelo conflito para quase 700 mil.
A representante da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, no país, Karolina Billing, falou sobre um ritmo de deslocamento mais acelerado em comparação com o conflito com Israel em 2024.
Ela afirmou que é possível ver carros enfileirados ao longo da rua com pessoas dormindo dentro deles. Segundo a representante do Acnur, a maioria dos libaneses fugiu às pressas, sem quase nada e estão buscando segurança em Beirute, na região do Monte Líbano, no norte do Líbano e em partes do Vale do Becá.
Disrupção da ajuda humanitária
A guerra no Oriente Médio também está afetando o abastecimento de itens de ajuda humanitária em outras partes do mundo, como no Sudão.
O diretor do Serviço de Análise de Alimentos e Nutrição do Programa Mundial de Alimentos, WFP, afirmou que restrições e riscos estão redirecionando os serviços de companhias de navegação.
Jean-Martin Bauer explicou que a operação do WFP no Sudão é abastecida com alimentos comprados na Índia, trazidos via Salalah, em Omã, e Jeddah, na Arábia Saudita, até Porto Sudão.
Atualmente, as remessas precisam percorrer um trajeto muito mais longo, passando por Tânger, o que acrescenta aproximadamente 25 dias ao tempo de entrega.
Além disso, a necessidade de seguro contra riscos de guerra para as remessas implica um custo adicional de US$ 2.000 a US$ 4.000 por contêiner em áreas de risco.
Felipe de Carvalho é redator da ONU News.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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