O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, Rafael Mariano Grossi, alertou que o conflito na Ucrânia, prestes a entrar no quinto ano, ainda representa a maior ameaça mundial à segurança nuclear. 

A declaração foi feita esta sexta-feira durante a reunião do Conselho de Diretores da Aiea, na sede da Agência, em Viena, onde Grossi deu um informe detalhado sobre a situação das centrais nucleares afetadas pela guerra.

Fornecimento elétrico externo 

Grossi sublinhou que a segurança das centrais nucleares em contexto de conflito armado depende, entre outros fatores, da manutenção de um fornecimento elétrico externo seguro e estável. 

Este requisito integra o quarto pilar dos Sete Pilares da Aiea para garantir a segurança e proteção nuclear durante conflitos armados. 

De igual forma, o terceiro dos Cinco Princípios para a proteção da Central Nuclear de Zaporizhzhya, Znpp, estabelece que devem ser feitos todos os esforços para assegurar a disponibilidade contínua da energia externa.

O diretor-geral recordou que tanto os Sete Pilares como os Cinco Princípios contam com amplo apoio internacional, incluindo das partes diretamente envolvidas no conflito.

O chefe da Aiea reiterou os seus apelos para o cumprimento rigoroso destas diretrizes, nomeadamente no que respeita ao fornecimento elétrico fora do local.

Uma equipe de especialistas da Aiea visita a Usina Nuclear de Zaporizhzhya e seus arredores

Zaporizhzhya e cessar-fogos temporários 

No caso específico da Znpp, Grossi informou que, nos últimos meses, a Aiea negociou, em coordenação com representantes ucranianos e russos, quatro cessar-fogos temporários. As tréguas permitiram a realização de cinco reparações em linhas elétricas ligadas à central.

A mais recente ocorreu a 19 de janeiro, quando a Znpp foi reconectada à sua última linha de energia de reserva, de 330 KV, após a conclusão bem-sucedida das reparações.

 Esta linha encontrava-se desligada desde 2 de janeiro, alegadamente devido a atividades militares. 

Até à reconexão, a central dependia exclusivamente de uma linha principal de 750 KV para alimentar os sistemas de segurança necessários à refrigeração dos seis reatores desligados e das piscinas de combustível usado.

Riscos em centrais e subestações elétricas

As equipas da Aiea continuam a acompanhar a capacidade da Znpp para enfrentar as condições de inverno, incluindo a prevenção do congelamento das lagoas de arrefecimento e dos reservatórios de aspersão. 

Grossi reiterou a necessidade de evitar danos adicionais nas linhas elétricas, alertando que novas interrupções poderiam comprometer gravemente a segurança da central.

Para além da presença permanente nas cinco centrais nucleares da Ucrânia, a Aiea tem conduzido operações específicas para avaliar o impacto dos ataques às subestações elétricas essenciais à segurança nuclear. 

Atualmente, especialistas avaliam dez subestações consideradas críticas, dando seguimento a inspeções realizadas em dezembro de 2025 e incluindo novos locais não avaliados anteriormente.

 

Atividades militares afetam outras instalações nucleares, incluindo Chornobyl

Noutras zonas do país, as equipas da Aiea reportaram atividades militares nas proximidades de centrais nucleares, incluindo o local da Central Nuclear de Chornobyl. 

Neste caso, uma subestação crítica foi danificada, resultando na desconexão de uma linha de 750 KV, uma de 110 KV e duas de 330 KV.

Apesar de o local ter continuado a receber energia através de outras linhas externas, foi necessário recorrer a geradores a diesel de emergência para o Novo Confinamento Seguro e para a Instalação Interina de Armazenamento de Combustível Usado-2, devido a interrupções e flutuações no fornecimento elétrico. As linhas afetadas foram posteriormente reconectadas.

Central Nuclear de Chernobil

Aiea apela à continuidade do seu trabalho e ao fim do conflito

Grossi concluiu afirmando que a melhor forma de garantir a segurança nuclear e a proteção das populações afetadas é pôr fim ao conflito.

O chefe da agência nuclear destacou ainda o papel da Aiea  como instituição internacional capaz de prevenir escaladas, promover estabilidade e assegurar previsibilidade em contexto de guerra prolongada.

Segundo o diretor-geral, este trabalho exige foco, compromisso e sentido de responsabilidade. Ele reiterou que a prioridade da agência é garantir a continuidade das suas operações no terreno, contando para isso com o apoio dos membros do Conselho de Diretores.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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