A geoeconomia está tornando o comércio global e o acesso aos mercados mais seletivos.
Isso tem reconfigurado a dependência financeira entre países, empresas e comércio.
Mudança de paradigma
Uma dinâmica que altera a trajetória para o desenvolvimento sustentável.
As regras que definem as parcerias comerciais estão se transformando, destaca o novo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad.
O documento descreve esta mudança de paradigma através do conceito de geoeconomia, uma prática baseada na utilização de instrumentos econômicos para atingir objetivos estratégicos.
Setores cruciais e regras
Nos últimos anos, governos de todo o mundo têm recorrido, cada vez mais, a restrições comerciais, subsídios, regras de investimento e controlos tecnológicos para disputar setores considerados cruciais.
A lista inclui os semicondutores, as infraestruturas de inteligência artificial, bem como novas tecnologias de energia limpa. O comércio continua a ser global, no entanto, a sua geografia está sendo alterada.
Novas ligações comerciais
As considerações geoeconômicas influenciam cada vez mais as decisões das empresas sobre onde adquirir bens, estabelecer redes de produção e investir.
Por sua vez, as relações estratégicas, a localização e as perceções de fiabilidade continuam a ganhar importância, a par dos custos e da eficiência.
À medida que o comércio entre alguns grandes parceiros diminui, surgem novas ligações, com as empresas a diversificarem os fornecedores e a produção.
No entanto, a integração numa cadeia de abastecimento global não significa necessariamente captar uma parcela significativa do seu valor, alerta o relatório.
A República Democrática do Congo, por exemplo, produziu cerca de 73% do cobalto extraído a nível mundial em 2025. No entanto, os produtores de capital nacional foram responsáveis por apenas 1% da produção nacional, evidencia o relatório.
O cobalto é extraído em Rubaya, no leste da República Democrática do Congo, uma área controlada por uma milícia
Chance para economias emergentes
A Unctad destaca que a mudança geoeconómica pode criar oportunidades para que as economias em desenvolvimento se tornem fornecedores alternativos, polos industriais ou centros de ligação regional.
Segundo a agência, estes países podem atuar como âncoras regionais, conectando mercados e promovendo a cooperação nas áreas do comércio, da tecnologia, das infraestruturas e das finanças.
O relatório destaca a partilha de infraestruturas públicas digitais pela Índia, a expansão do sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, o sistema conhecido como PIX, pela América do Sul e o Sistema Pan-Africano de Pagamentos e Liquidação, que está a ajudar a ultrapassar as barreiras aos pagamentos transfronteiriços.
Cooperação para novos entendimentos
A Unctad destaca o potencial dos acordos regionais e da cooperação Sul-Sul, na medida em que podem ajudar a preservar o acesso aos mercados e a simplificar as regras de origem, bem como a facilitar a celebração de acordos globais.
A agência acrescenta que as economias em desenvolvimento necessitam de apoio para satisfazer requisitos complexos de mercado, incluindo normas, certificação, rastreabilidade, alfândega digital e conformidade regulamentar.
Sem estas capacidades, as empresas correm o risco de ser excluídas dos mercados por não conseguirem cumprir as regras, apesar de serem competitivas, conclui a publicação.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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