O secretário-geral da ONU está no Líbano, onde lançou um Apelo Humanitário Emergencial de U$ 325 milhões para apoiar a população que sofre os impactos diretos do conflito entre o grupo armado Hezbollah e Israel.
A escalada da violência, desde o início do mês, já deixou mais 600 mortos e 759 mil deslocados. Outros 90 mil pessoas fugiram para a Síria, a nação vizinha.
O chefe da ONU, António Guterres (à esquerda), dirige-se à mídia em Beirute, no Líbano
Maiores ordens de evacuação já vistas
Falando da capital Beirute, atacada diversas vezes nos últimos dias, o líder da ONU declarou que as ordens de evacuação abrangem a maior área já registrada no Líbano.
Ele ressaltou que o acesso a alimentos, água, saúde, educação e serviços básicos foi perigosamente prejudicado e que “vidas foram viradas de cabeça para baixo”.
António Guterres reconheceu a “coragem e solidariedade” do povo libanês, ao citar que escolas abriram suas portas para abrigar famílias deslocadas, profissionais de saúde continuam a trabalhar sob imensa pressão e a resiliência de comunidades frente à turbulência da guerra.
As agências das Nações Unidas estão colaborando de perto com as autoridades libanesas e fornecendo refeições, água potável, suprimentos de higiene e itens essenciais de socorro.
Apelo precisa de resposta rápida
Guterres explicou que o Apelo Emergencial, lançado nesta sexta-feira, sustentará e ampliará a assistência vital nos próximos três meses, incluindo alimentos, água potável, cuidados de saúde, educação, proteção e outros serviços essenciais.
Mas o sucesso da iniciativa depende de financiamento rápido e flexível e de garantias de acesso dos trabalhadores humanitários aos que mais precisam de ajuda.
Guterres disse que nesta hora de “grave perigo e profunda necessidade”, o mundo deve demonstrar um forte apoio ao Líbano, em retribuição à hospitalidade, solidariedade e resiliência que a população libanesa sempre concedeu a outros povos em conflitos.
O chefe da ONU lembrou que em todo o país, famílias muçulmanas do Líbano observam o Ramadã, quando os muçulmanos jejuam por um mês, e famílias cristãs no país celebram a Quaresma. Ele enfatizou que ambas são épocas marcadas pela compaixão e generosidade, qualidades que refletem o próprio espírito do povo libanês.
Antes de lançar o apelo emergencial, Guterres se reuniu com o presidente do Líbano, Joseph Aoun.
Tendas montadas dentro de uma faculdade em Beirute, Líbano, fornecem alojamento para pessoas que foram deslocadas pelo conflito
“Este não é mais o tempo de grupos armados”
Após o encontro, o secretário-geral afirmou que a nação árabe foi “arrastada para uma guerra que seu povo não estava disposto a travar”.
O secretário-geral declarou que “este não é mais o tempo de grupos armados e sim de Estados fortes”. Há várias décadas, o movimento Hezbollah exerce influência política e paramilitar no Líbano.
António Guterres fez um apelo veemente a ambas as partes beligerantes, Hezbollah e Israel, por um cessar-fogo que ponha fim à guerra e abra caminho para uma solução que permita ao Líbano tornar-se um país independente.
Além do encontro com o presidente Aoun, Guterres tem reuniões com o presidente da Câmara dos Deputados, Nabih Berri, o primeiro-ministro, Nawaf Salam, e deve visitar o hospital onde está internado um soldado da paz da Missão Interina da ONU no Líbano, Unifil, ferido durante um ataque no sul do país.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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