Sob o lema “CPLP 30 Anos: Unidade na Diversidade, Uma Comunidade para os Povos”, representantes de países-membros do bloco em todo o mundo estão a comemorar o impacto geoestratégico, a promoção da língua comum e o alargamento do número de Estados-associados.

Moçambique é um dos membros fundadores da Cplp que se junta às comemorações. A ONU News saiu às ruas para escutar os jovens e o que eles pensam do bloco.

Conservação marinha

Em Maputo, foram citados avanços e algumas áreas que exigem intervenção urgente como o exame das legislações variadas e de sua aplicabilidade como explicou a ativista ambiental, Chanila Caisse Saide. 

Para ela, o aniversário da Cplp representa ação climática. Ela falou sobre a oportunidade de ampliar a conservação marinha e vasto ecossistema, uma vez que esses países possuem vários quilómetros costeiros e vastas zonas económicas exclusivas.

“Através da língua podemos romper barreiras e transmitir o conhecimento de forma direta. Podemos levar o conhecimento diretamente à sociedade civil. Nós sabemos que nem todas as pessoas possuem habilidades linguísticas, sendo a língua portuguesa, língua que é difundida a informação, gera uma consciencialização mais afetiva, mais inclusiva e acima de tudo, a transmissão do conhecimento cientifico para a sociedade civil de forma clara que permite a observação direta dos factos.”

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Chanila Caisse Saide, acredita ainda que a língua não é único elo de ligação entre os países membros da Cplp, pois destaca os oceanos como um recurso a ser preservado com vista alcance com sucesso dos ODS 13 e 14.

Esta é uma oportunidade de nós refletirmos sobre este recurso que é o oceano. Nós sabemos que o oceano liga-nos de formas intangíveis, não há uma fronteira para nossos problemas. O problema da pesca ilegal, da pesca excessiva, todos os problemas não têm uma fronteira, então todos juntos devemos colaborar e trabalhar neste que é o problema.”

Quando se fala de Cplp, as opiniões e sentimentos variam. Uma das áreas de atuação mais necessárias para o escritor e editor literário, Eduardo Quive, está na cultura. 

Ele elogia os avanços da Cplp na área cultural destacando a conexão através da tecnologia, mas cita a necessidade de ações concretas e desafios face à mobilidade no geral.

Mais prêmios literários

“Um dos objetivos principais da Cplp é realmente traçar esta política para que haja mais intercâmbio entre países da comunidade, para que haja mais diálogo, mais encontros entre várias culturas da Cplp. Estou aqui a pensar em instituições como Commonwealth que tem prêmios literários para toda a comunidade, que ate interagem com outras línguas. Se calhar a Cplp tem que começar a pensar em prêmios literários que deem prestígio à comunidade, sobretudo prémios que permitem a publicação de obras entre países.

O escritor Eduardo Quive diz que o primeiro passo deve ser dado para criar um mercado livreiro comum a todas as nações que falam português.

Mercado livreiro sem barreiras

“Precisamos também de leis que facilitem a mobilidade de obras entre esses países. Por exemplo um livro editado em Moçambique não pode entrar em Portugal normalmente e ser vendido precisaria de chegar em Portugal começar de zero, fazer se o registo de uma empresa ou editora em Portugal para poder comercializar. Estamos a falar de um livro que é escrito na mesma língua: em Moçambique, Angola, São-Tome e Príncipe, em Portugal. Eu acho que é desafios que temos, partirmos de desejo, de sonho que nos temos, mas é preciso concretizar.” 

Uma das ações tomadas pela Cimeira de Brasília há 10 anos foi promover a língua com mais tradução, comunicação em português e uso da língua como língua de documentação em organizações internacionais. 

No mesmo evento, os Chefes de Estado e de Governo da Cplp declararam constituir a Agenda 2030 um “plano de ação global e visão comum para alcançar o desenvolvimento sustentável até 2030 em suas três dimensões: social, económica e ambiental”.

Em agosto, eles voltam a se reunir em Díli, Timor-Leste. O país do sudeste asiático ocupa a presidência pro tempore do bloco.

* Ouri Pota é o correspondente da ONU News em Maputo.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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