O dinheiro necessário para que os países pobres cresçam e combatam a pobreza está se tornando cada vez mais escasso. Um novo relatório das Nações Unidas revela que décadas de progresso estão sendo revertidas e a desigualdade entre ricos e pobres está aumentando rapidamente.
O Relatório sobre Financiamento para o Desenvolvimento Sustentável de 2026, apresentado nesta quarta-feira, em Nova Iorque, mostra uma combinação explosiva de dívida externa insustentável, diminuição da ajuda internacional e um mundo cada vez mais dividido em blocos comerciais e geopolíticos.
Mais dívida do que desenvolvimento
O documento foi apresentado pelo subsecretário-geral para Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Li Junhua. Já a vice-secretária-geral Amina Mohammed afirmou que o desenvolvimento global exige é preciso evitar que tudo que foi construído com tanto esforço para o desenvolvimento, nos últimos anos, se perca.
Uma das descobertas mais alarmantes do relatório é que 3,4 bilhões de pessoas vivem em países que gastam mais dinheiro pagando juros de suas dívidas do que financiando sistemas de saúde ou educação.
Em 2024, o serviço da dívida nos países em desenvolvimento atingiu o nível mais alto em 20 anos. Isso significa que, embora esses países precisem desesperadamente investir em hospitais, escolas e energia limpa, seu dinheiro está sendo usado diretamente para pagar credores internacionais.
Subsecretário-geral para Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Li Junhua
Ajuda internacional despencando
Enquanto a dívida cresce, a ajuda aos países mais pobres está diminuindo:
Em 2024, a ajuda oficial ao desenvolvimento caiu 6%, para US$ 214,6 bilhões. E para 2025, espera-se uma queda adicional entre 10% e 18%. Nos países menos desenvolvidos, o corte pode ser de até 25%. Além disso, o investimento estrangeiro direto (empresas que investem em países em desenvolvimento) caiu pelo segundo ano consecutivo, 11% em 2024.
Barreiras comerciais: tarifas sobem e tudo fica mais caro
O relatório também mostra como as guerras comerciais e as tensões geopolíticas estão prejudicando os países mais vulneráveis. Por exemplo, as tarifas médias sobre as exportações dos países menos desenvolvidos dispararam de 9% para 28% em 2025. Para os demais países em desenvolvimento (excluindo a China), as tarifas subiram de 2% para 19%.
O relatório conclui que o modelo de hiperglobalização não é mais viável. As tensões entre as grandes potências, a ascensão do protecionismo e o enfraquecimento do multilateralismo estão tornando os acordos globais cada vez mais difíceis de implementar.
Mesmo reformas importantes, acordadas há apenas um ano na Cúpula de Sevilha (2025), que buscavam dar aos países em desenvolvimento acesso mais rápido e justo ao financiamento, estão sendo prejudicadas pela falta de cooperação internacional.
A cozinha de uma casa rural improvisada no norte da Colômbia, uma região profundamente afetada pela pobreza
Boas notícias
Nem tudo são más notícias. O relatório destaca duas boas notícias:
1. O investimento em energia renovável atingiu o recorde de US$ 2,2 trilhões em 2024, dobrando o investimento em combustíveis fósseis.
2. O comércio Sul-Sul (entre países em desenvolvimento) quadruplicou nos últimos 20 anos.
No entanto, esse progresso não compensa os danos totais: o déficit anual de financiamento para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável permanece em US$ 4 trilhões.
Janela de oportunidade
O relatório enfatiza que ainda existe uma janela de oportunidade, mas ela está se fechando rapidamente. O único caminho a seguir é implementar o Compromisso de Sevilha, assinado em 2025, sem demora. Este compromisso inclui:
• Reduzir o déficit de quatro trilhões de dólares por meio de maiores investimentos
• Reformar a arquitetura financeira internacional para dar aos países pobres uma voz mais forte e acesso mais rápido a fundos
• Investir na resiliência às crises climáticas e econômicas
• Fortalecer o multilateralismo, não abandoná-lo
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
To submit your press release: (https://www.globaldiasporanews.com/pr).
To advertise on Global Diaspora News: (www.globaldiasporanews.com/ads).
Sign up to Global Diaspora News newsletter (https://www.globaldiasporanews.com/newsletter/) to start receiving updates and opportunities directly in your email inbox for free.























