A segunda Década para Pessoas Afrodescendentes, que começa este ano e termina em 2034, deve ser um tempo de ação por justiça, dignidade e igualdade.
A declaração é do secretário-geral da ONU, António Guterres, para marcar o Dia Internacional sobre o tema, celebrado neste 31 de agosto.
Exclusão digital
Em mensagem, o líder das Nações Unidas lembrou as contribuições extraordinárias dos afrodescendentes em todas as esferas da atividade humana, mas disse que o grupo também sofre “injustiças persistentes”.
Guterres citou os legados da escravidão e do colonialismo que lançam sombras profundas – visíveis no racismo sistêmico, nas economias e sociedades desiguais e na exclusão digital. Segundo ele, o preconceito racial também “é codificado em algoritmos.”
A informação, aliás, é um dos desafios para muitas mulheres e meninas afrodescendentes, segundo a especialista em saúde sexual e reprodutiva do Fundo das Nações Unidas para a População, Unfpa, no Brasil.
Gravidez e jovens
Nesta entrevista à ONU News, de Brasília, Anna Cunha fala de brechas marcadas pela raça e estrato social, que levam a desafios como gravidez na adolescência, que representa 12% de todas as gravidezes no país.
“Se a gente tem disparidades ainda em acesso à informação. Esse acesso à informação é um desafio ainda maior entre adolescentes negras e entre adolescentes indígenas e afrodescendentes de uma forma geral.”
Segundo o Unfpa, ao lado da Colômbia e do Suriname, o Brasil é um dos poucos países na região das Américas que coletam dados sobre saúde materna desagregados por etnia e raça.
Para Anna Cunha, o acesso à informação é beneficiado pelos dados, mas também passa por uma linguagem mais acessível aos jovens.
“É fundamental que adolescentes e jovens se engajem nesse processo. É preciso garantir que políticas públicas tenham uma linguagem amigável a adolescentes e jovens, que promova esse engajamento da juventude. Então, essa linguagem precisa ser atrativa. Hoje em dia, o mundo digitalizado é muito dinâmico.”
Hora de corrigir erros
Em sua mensagem, o secretário-geral da ONU lembra que, 80 anos após a criação das Nações Unidas, é preciso reafirmar a “igualdade de direitos e a dignidade inerente a todo ser humano”.
Ele ressalta que a adoção da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial fez 60 anos. E que “já passou da hora de corrigir erros históricos.”
A ONU condena o uso excessivo da força e práticas violentas por agentes de segurança contra africanos e descendentes de africanos.
A Segunda Década para Pessoas Afrodescendentes começou em 1 de janeiro deste ano e termina em 31 de dezembro 2034.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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