Sob o lema “Economia Azul: Caminhos Sustentáveis”, Cabo Verde acolheu, na semana passada, a 5ª. Conferência da Década do Oceano. Com mais de 300 participantes, o evento foi descrito como um marco estratégico para o futuro socioeconómico e ambiental do país africano.
Promovida pela Presidência de Cabo Verde, na Ilha da Boa Vista, a reunião juntou políticos, especialistas, académicos, representantes do setor privado, jovens e ativistas da sociedade civil. Os participantes reafirmam que o oceano representa muito mais do que um recurso natural: é a própria identidade, proteção e sustento da nação insular africana de língua portuguesa.
Reforço da cooperação internacional
Um dos marcos da conferência foi o reforço da cooperação internacional ao mais alto nível. O stand das Nações Unidas na Exposição Azul destacou a “Economia Azul em Ação” e foi visitado pelo presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, e pelo diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany.
O chefe da Unesco citou a centralidade do arquipélago no cenário global. Para ele, Cabo Verde ocupa um lugar especial em favor da África e dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento.
O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, e o presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, visitaram juntos o espaço das Nações Unidas na Exposição Azul.
El-Enany disse que o país e a Unesco cooperam para “para promover o desenvolvimento sustentável, proteger o ambiente natural excecional do país e reforçar a resiliência das suas comunidades.”
Papel da sociedade civil
Se o diálogo governamental e internacional define o caminho a seguir, é no terreno que a sustentabilidade ganha vida. A conferência realçou que a ação da sociedade civil e comunidades locais é essencial na conservação da biodiversidade e no desenvolvimento comunitário.
Entre as centenas de presenças no fórum, a ONG ambientalista Lantuna, que na Ilha de Santiago atua na proteção da fauna marinha e terrestre e no apoio às comunidades piscatórias, testemunhou o crescimento e a maturidade deste espaço de debate.
Para a diretora-executiva da Lantuna, Ana Veiga, o grande valor destas conferências está no alinhamento entre a ciência, a sociedade civil e os decisores políticos.
“Eu vejo isto como uma excelente oportunidade de partilhar experiências. Somos um país arquipelágico, é uma excelente oportunidade para partilharmos as experiências de diferentes ilhas e um momento para que os decisores políticos, as instituições no geral, tenham também uma visão da academia, da sociedade civil. Portanto, espero que este tipo de iniciativas continue e que surjam também mais iniciativas do género.”
Conservação da biodiversidade
A ativista disse que são visíveis os resultados concretos deste diálogo continuado no maior envolvimento do poder e das instituições locais nas questões da conservação da biodiversidade.
“Em cima da mesa, há uma partilha dos resultados das investigações que têm sido levadas a cabo pelas instituições nacionais, por exemplo o Imar, que é o Instituto do Mar, e isso também tem motivado outros decisores a conhecerem o que se faz no país. Eu acho que um dos resultados que se pode dizer é que já há um maior envolvimento das câmaras municipais para as questões relacionadas com a conservação da biodiversidade marítima.”
A responsável da Lantuna usou o espaço para reforçar um apelo para o cumprimento da Agenda 2030: a urgência de uma proteção legislativa e prática mais eficaz para as praias e zonas costeiras de Cabo Verde, o principal ativo natural e turístico do país.
No evento, a participante da sociedade civil cabo-verdiana apontou que o caminho passa por uma ação conjunta onde a responsabilidade cidadã e a fiscalização governamental caminhem lado a lado.
Compromisso para “não deixar ninguém para trás”
O encerramento dos trabalhos da 5ª. Conferência da Década do Oceano e da Feira Azul sela o compromisso coletivo de transformar o potencial marinho em oportunidades reais de emprego, resiliência e prosperidade para as gerações atuais e futuras.
As Nações Unidas e os seus parceiros de desenvolvimento reafirmam a determinação em continuar a trabalhar lado a lado com o Governo de Cabo Verde, os municípios, a academia, o setor privado e a sociedade civil.
Acelerar a transição para uma economia azul inclusiva e sustentável, garantindo que o progresso alcance a todos, sem deixar ninguém para trás, envolve realizar ações focadas no desenvolvimento das comunidades costeiras, atuar na frente climática e na inovação.
*Com reportagem da ONU Cabo Verde.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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