Nos últimos 11 anos, a Terra registrou as temperaturas mais altas da história e já ultrapassou temporariamente o limite de 1,5°C de aquecimento global definido no Acordo de Paris. 

As mudanças climáticas estão diretamente ligadas ao aumento da pobreza, da fome e da desigualdade. Em 2024, desastres provocaram 45,8 milhões de deslocamentos internos e os 55 países mais vulneráveis acumularam prejuízos de US$ 500 bilhões. Na Cúpula do Clima 2026, líderes debatem ações concretas para o enfrentamento desse problema mundial.

O marco dos 1,5°C

Entre 2023 e 2024, a média da temperatura anual chegou a 1,52°C acima dos níveis pré-industriais.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial, OMM, o calor extremo é a maior causa de mortalidade entre todos os fenômenos meteorológicos extremos, com uma estimativa de 489 mil mortes por ano nas primeiras décadas do século 20.

Secas, enchentes e tempestades deslocam mais de 20 milhões de pessoas anualmente, a principal causa de migração forçada em várias regiões.

Mulheres e meninas são as mais afetadas, representando 4 em cada 5 deslocados e têm 14 vezes mais chances de morrer em desastres climáticos.

Até 2050, as mudanças climáticas provocarão mais 250 mil mortes adicionais por ano decorrentes de desnutrição, malária, diarreia e estresse térmico, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, OMS.

Para o fim do século, a estimativa é 2,3°C de aquecimento. Isso significa mais ondas de calor, maior insegurança alimentar e o risco de ultrapassar pontos de não-retorno, como o degelo de geleiras.

ONU/ Laura Jarriel
Delegados observam o East River da sede da ONU. Na Cúpula do Clima 2026, líderes debatem ações concretas para o enfrentamento desse problema mundial.

Transição energética é segurança geopolítica

Os planos nacionais de clima, NDCs, atuais só devem reduzir cerca de 10% das emissões até 2035, quando o necessário para atingir a meta seria 60%.

Isso exige a diminuição da emissão de poluentes de vida curta como o metano, do desmatamento e ampliação do uso de energias renováveis. 

Muitas empresas se denominam falsamente “net zero”, ação chamada greenwashing.

Crises geopolíticas

O setor da moda é um exemplo, responsável por 8% das emissões globais, mas com 60% das alegações de sustentabilidade classificadas como não comprovadas.

A transição energética deve ser acompanhada de investimentos em infraestrutura moderna, como redes elétricas, já que também é uma questão de segurança: três em cada quatro pessoas no mundo vivem em países dependentes da importação de combustíveis fósseis e estão expostas a crises geopolíticas.

Financiamento: justiça climática em jogo

Países em desenvolvimento enfrentam altos custos de empréstimo para projetos de energia limpa, mesmo possuindo grande potencial solar e eólico. 

A Assembleia Geral da ONU estima que os investimentos globais na área atinjam US$ 3,4 trilhões em 2026, com US$ 2,2 trilhões apenas para energias sustentáveis.

© OMM/Ahnaf Ibne Nasir
Atuais ameaças existenciais destacam escalada da crise do clima

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, COP30, estabeleceu a meta de mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 e lançou o Mutirão Global, iniciativa da presidência brasileira para unir governos, sociedade civil, empresas e cidadãos no enfrentamento às mudanças climáticas.

A cooperação internacional é considerada a solução para as barreiras financeiras e tecnológicas. No entanto, os recursos ainda são insuficientes e caros, aumentando o endividamento dos países subdesenvolvidos. 

Para atingir o objetivo, o financiamento também deve garantir uma transição justa, apoiando trabalhadores, comunidades e permitindo que as nações produtoras de minerais valorizem a sua produção, em vez de apenas exportar matéria-prima.

O que esperar da Cúpula do Clima 2026

E 10 anos após o Acordo de Paris, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reúne líderes para discutir três prioridades: acelerar a transição energética, incentivar financiamento e proteger pessoas.

Durante a semana, os encontros buscam transformar compromissos já assumidos em ação concreta sobre temas como oceanos, industrialização verde, adaptação e integridade da informação. 

Os líderes debatem os progressos e ao final do evento, vão definir trabalhos em conjunto para acelerar a transição, fortalecer a segurança energética, promover a justiça climática e proteger as pessoas do aquecimento global.

A transmissão da Cúpula do Clima 2026 pode ser acompanhada na UNWebTV.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

To submit your press release: (https://www.globaldiasporanews.com/pr).

To advertise on Global Diaspora News: (www.globaldiasporanews.com/ads).

Sign up to Global Diaspora News newsletter (https://www.globaldiasporanews.com/newsletter/) to start receiving updates and opportunities directly in your email inbox for free.