A perda de biodiversidade continua afetando a vida de bilhões de pessoas. Para revertê-la, os governos precisam tomar medidas urgentes na 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade, a COP17, em Yerevan, capital da Armênia.

O encontro, iniciado nesta segunda-feira, decorre até o dia 30 de outubro, reunindo especialistas, ativistas e tomadores de decisão.

Bilhões de vidas em jogo

O objetivo das conversações é avaliar o progresso alcançado e dar continuidade a um plano global para a proteção da biodiversidade, conhecido como Plano de Kunming-Montreal, adotado há quatro anos.

A secretária executiva da Convenção das Nações Unidas sobre a Biodiversidade, Astrid Schomaker, afirmou que “bilhões de pessoas cujas vidas estão sendo afetadas pelos impactos da perda de biodiversidade dependem do progresso que for feito nas próximas duas semanas na capital armênia”.

Ela ressaltou que todos são “responsáveis ​​uns pelos outros e pelas gerações futuras”, adicionando que nenhuma nação, economia ou sociedade está imune aos impactos da perda de biodiversidade.

Unops
Matheus Tembé, professor de língua indígena.

Valorização da sabedoria indígena

Schomaker pediu que a “energia e as ideias inexploradas” dos povos indígenas e das comunidades locais, das mulheres e dos jovens contribuíssem para as decisões tomadas nas negociações.

Os objetivos da Convenção incluem o combate aos principais fatores de perda de biodiversidade, incluindo mudanças na utilização da terra e dos mares, a exploração insustentável de espécies, as mudanças climáticas, a poluição e as espécies invasoras. 

Talvez a ambição mais conhecida do plano Kunming-Montreal seja  o “30 por 30” : conservar 30% das terras e dos mares até 2030, prazo limite para atingir os  Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, da ONU. 

Desafios que os governos devem enfrentar

Para isso, os planos de ação nacionais devem estar alinhados com as metas internacionais, o financiamento deve corresponder às necessidades atuais e o consumo e a produção devem estar em consonância com “os recursos finitos do nosso planeta”, afirmou Schomaker.

Entre os grandes desafios que os governos enfrentarão em Yerevan:

  • Balanço geral: Os países realizarão a primeira revisão global do progresso coletivo no âmbito desta estrutura, apresentando seus relatórios nacionais e estratégias e planos de ação atualizados para a biodiversidade. Isso mostrará o que foi alcançado desde 2022 e onde são necessárias ações mais rápidas. 
  • Lacuna de implementação: A questão central é como traduzir metas e planos nacionais em resultados mensuráveis ​​no terreno.
  • Busca por recursos: O plano prevê um investimento de pelo menos US$ 200 bilhões anualmente, provenientes de todas as fontes, até 2030, incluindo pelo menos US$ 30 bilhões em financiamento internacional para a biodiversidade.
  • Fazendo o  Fundo Cali funcionar: Este mecanismo financeiro global, estabelecido no âmbito da  Convenção das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica, foi acordado na COP16 em Cali, Colômbia. As negociações em Yerevan visam avançar nos arranjos práticos para o fundo, que foi concebido para arrecadar recursos de empresas que utilizam dados genéticos digitais e redistribuir esses recursos para a proteção da biodiversidade e dos povos indígenas.
  • Acompanhamento do progresso: É necessário um melhor monitoramento, dados, capacidade e cooperação para que os países possam avaliar se os compromissos estão realmente produzindo resultados. 
  • Mudando a economia: Algumas das áreas mais atrasadas exigem ações fora dos ministérios do meio ambiente, incluindo finanças, negócios, consumo sustentável e incentivos prejudiciais.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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