Após 1.000 dias de conflito no Sudão, a crise humanitária está se intensificando e afetando milhões de pessoas em todo o país. Segundo um novo relatório do Fundo das Nações para a Infância, Unicef, 30,4 milhões de sudaneses necessitam atualmente de assistência humanitária, incluindo mais de 15,2 milhões de crianças.

O conflito prolongado, aliado a deslocamentos em grande escala e à fragilidade dos serviços básicos, continua a agravar as necessidades humanitárias. Apesar dos esforços em curso, a resposta permanece limitada por restrições de acesso e por um déficit significativo de financiamento.

Deslocamentos e impacto do conflito

A situação deteriorou-se após a tomada de El Fasher, no final de outubro de 2025, que desencadeou novos episódios de violência em Darfur do Norte. Mais de 106 mil pessoas foram deslocadas para localidades vizinhas, sobretudo Tawila, aumentando a pressão sobre serviços e infraestruturas locais.

No total, atualmente há cerca de 9,8 milhões de deslocados internos, um dos números mais elevados do mundo. Muitas enfrentam condições precárias, com acesso limitado a abrigo, alimentos, água potável e cuidados de saúde.

Este é apenas um dos muitos edifícios na capital sudanesa, Cartum, afetados pela guerra que eclodiu entre as Forças Armadas Sudanesas e paramilitares das Forças de Apoio Rápido em abril de 2023

Serviços fragilizados

O colapso parcial do sistema de saúde elevou o risco de surtos de doenças. Em resposta, o Unicef reforçou a sua presença em Darfur do Norte, apoiando nove unidades de saúde e duas clínicas móveis em Tawila.

A resposta a surtos atingiu 108% da meta prevista, refletindo esforços intensificados para conter doenças evitáveis. No entanto, a continuidade destes serviços depende de financiamento sustentável e de acesso humanitário seguro às populações afetadas.

Progressos lentos na nutrição 

A situação nutricional permanece preocupante, sobretudo entre crianças deslocadas. O Unicef apoiou o tratamento da desnutrição aguda severa, alcançando 93% da meta de admissões previstas, num contexto de necessidades elevadas.

Apesar destes progressos, a cobertura nutricional continua condicionada por lacunas de financiamento, com o setor da nutrição a registar apenas 27% do financiamento necessário.

Acesso a higiene permanece insuficiente 

O acesso à água potável segura é uma prioridade num contexto de deslocamentos e surtos de doenças transmitidas pela água. Até novembro, a agência apoiou o acesso à água segura para 12,6 milhões de pessoas, superando a meta anual em 22%.

Ainda assim, o setor de água, saneamento e higiene enfrenta desafios significativos. A distribuição atingiu apenas 33% da meta, com um financiamento de 35%, deixando comunidades vulneráveis expostas a riscos sanitários acrescidos.

Um comboio de veículos da ONU segue em direção a El Geneina, no oeste de Darfur, Sudão (arquivo)

Limitação da educação 

A interrupção da educação continua a afetar milhares de crianças, especialmente em áreas afetadas por conflito e deslocamento. O Unicef alcançou 63% da meta prevista, ao apoiar iniciativas de acesso à aprendizagem.

Contudo, a educação permanece um dos setores mais fragilizados, com necessidades que superam largamente os recursos disponíveis. A falta de espaços seguros de aprendizagem compromete o desenvolvimento e a proteção das crianças afetadas pela crise.

Participação comunitária e proteção infantil

A participação das comunidades tem sido reforçada através do Mecanismo Interagencial de Feedback Comunitário. Em novembro, o mecanismo registou 27 mil casos individuais e 166 relatórios coletivos, amplificando as preocupações de 1,2 milhão de pessoas em 18 estados.

Estes mecanismos desempenham um papel essencial na adaptação da resposta humanitária às necessidades reais das comunidades, num contexto de acesso limitado e riscos elevados de proteção infantil.

Apelo humanitário permanece subfinanciado

Apesar dos esforços e progressos registados em vários setores, o Apelo Humanitário do Unicef para 2025, no valor de US$ 950 milhões, permanece 51% subfinanciado, com um défice de cerca de US$ 483 milhões.

A agência alerta que, sem financiamento adicional, será cada vez mais difícil manter serviços vitais de saúde, nutrição, educação, água e proteção infantil, colocando em risco a sobrevivência e o futuro de milhões de crianças no Sudão.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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