Enquanto combates intensos na província de Taiz isolam milhares de civis no Iêmen, as forças houthis, apoiadas pelo Irã, expandiram sua ofensiva com uma onda de ataques contra a Arábia Saudita.
Mísseis e drones foram lançados contra a infraestrutura petrolífera e aeroportuária do país.
Mísseis na Arábia Saudita
As Nações Unidas e o Fundo Monetário Internacional, FMI, alertam que o declínio da segurança mundial representa um risco de colapso sanitário e econômico.
Em resposta a ataques aéreos contra depósitos de combustível em Sanaa e no porto de Ras Isa, os combatentes houthis lançaram uma ofensiva de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones.
Os alvos foram a empresa de petróleo estatal Aramco e o aeroporto internacional King Khalid, na Arábia Saudita.
O porta-voz militar dos houthis, Yahya Sarea, prometeu manter as operações nos próximos dias e em resposta, o Gabinete Saudita, presidido pelo Príncipe Herdeiro Mohammed bin Salman, garantiu que eles sofrerão as consequências.
O bairro de Al Gahmalyya, na cidade de Taiz, no Iêmen, foi severamente danificado como resultado de anos de conflito
O cerco a Taiz
O epicentro dos conflitos está em Taiz, a terceira maior cidade do país. Sob cerco parcial desde 2015, a região sofreu uma grande obstrução após a tomada da última rota principal que ligava a cidade às zonas sob controle do governo do Iêmen, apoiado pela Arábia Saudita.
De acordo com o Programa Mundial de Alimentos, WFP, mais de 800 mil pessoas ficaram sem acesso à ajuda humanitária devido ao bloqueio de estradas e ao avanço das linhas de frente.
A agência informou que o estoque de farinha de trigo vai se esgotar e a previsão é de desabastecimento total em menos de três semanas.
Os preços dos alimentos subiram em 50%, a gasolina triplicou de valor e não há mais gás de cozinha no mercado.
Insegurança alimentar
Em nível nacional, mais de 18 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda e 2,2 milhões de crianças com menos de cinco anos sofrem de desnutrição aguda.
As operações do WFP também foram afetadas por invasões de escritórios e perda de ativos, somando-se à retenção de 71 funcionários da ONU e de ONGs pelas autoridades houthis.
O diretor do WFP no Iêmen, El-Khidir, afirma que esse tipo de situação pode evoluir rapidamente para uma catástrofe humanitária.
Surtos de doenças
Com o deslocamento forçado de mais de 200 mil pessoas desde agosto, o Iêmen está passando por um surto de cólera. O país já registra mais de 8 mil casos suspeitos e 27 mortes este ano. Em paralelo, mais de 22 mil casos de sarampo.
A Organização Mundial da Saúde, OMS, adverte para o limite capacidade hospitalar. As instalações de saúde de pequeno porte recebem 700 feridos por semana e cerca de 500 centros de saúde nas províncias afetadas estão sem qualquer suporte de parceiros internacionais.
O plano de resposta de emergência da OMS necessita de US$ 31 milhões, mas recebeu menos de 14% desse valor.
Apelos Diplomáticos e Impasse
A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou que os impactos do conflito serão sentidos em rodo o mundo, devido a importância do país para o mercado energético.
Embora a libertação do funcionário da ONU Sami al-Kalabi após meses de detenção pelos houthis tenha sido acolhida como um passo positivo, o secretário-geral, António Guterres, reiterou o apelo pela libertação dos demais 71 trabalhadores humanitários ainda mantidos em cativeiro.
As Nações Unidas alertam que com a dissolução do cessar-fogo de quatro anos e as necessidades de financiamento humanitário, o Iêmen caminha para o agravamento da crise humanitária.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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