A Organização Mundial da Saúde, OMS, anunciou que o avanço do vírus ebola bundibugyo, com origem na República Democrática do Congo, RD Congo, já supera 9.765 infecções e confirma-se como o surto de disseminação mais rápida da história.

Diante desse desafio sem precedentes, pelo menos 4.727 mortes foram notificadas em quase seis meses após os primeiros alertas. Os números continuam subindo e a taxa de letalidade se aproxima da metade dos infectados.

Transmissão do vírus rompeu fronteiras

Cerca de 30 mil pessoas que tiveram contato com infectados são monitoradas diariamente pelas equipes de saúde. A tentativa é conter a cadeia de transmissão do vírus, que rompeu fronteiras geográficas e se expandiu para uma oitava província dentro do território congolês.

ONU/Martine Perret
OMS intensificou o nível de preparação e vigilância em mais de 20 países nas regiões da África e do Oriente Médio

Dezenas de zonas de saúde foram afetadas, alcançando regiões cada vez mais remotas e de difícil acesso, incluindo áreas próximas à fronteira com a República Centro-Africana.

Novos contornos internacionais

A crise ganhou novos contornos internacionais quando, nesta quinta-feira, a Nigéria confirmou seu primeiro caso, diagnosticado em uma mulher que viajou a partir de Uganda e passou pela capital, Abuja.

Essa situação desencadeou uma mobilização imediata de recursos para rastrear dezenas de indivíduos que tiveram contato direto com ela.

Ao mesmo tempo, o Quênia continua registrando casos e confirmou uma morte ligada ao surto, forçando as autoridades locais a impor protocolos severos de quarentena e monitoramento constante para evitar que a situação saia do controle.

Preparação e vigilância

Diante do agravamento da crise, já declarada Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, a OMS intensificou o nível de preparação e vigilância em mais de 20 países nas regiões da África e do Oriente Médio.

A agência da ONU atua lado a lado com as autoridades nacionais para identificar a origem das infecções e rastrear as transmissões, ao mesmo tempo em que desencoraja restrições a viagens ou ao comércio com as nações afetadas.

© OMS/Grainne Harrington
Surto com a expansão mais rápida da história cruzou fronteiras e confirmou casos nos territórios nigeriano e queniano

Apesar do cenário, as equipes de socorro veem encorajamento nos mais de 2,6 mil sobreviventes já registrados, que seguem recebendo acompanhamento médico, apoio psicossocial e cuidados contínuos em meio à tragédia.

Violência de conflitos armados

No entanto, a vertente sanitária é marcada por uma resposta humanitária com grandes obstáculos, conforme aponta o Comitê Internacional de Resgate.

Existe ainda a desconfiança das comunidades locais em relação às equipes de emergência, atingindo patamares críticos e somando-se à violência de conflitos armados e ao deslocamento em massa de populações regionais.

O combate à desinformação aliado à insegurança territorial exige uma mobilização diplomática, comunitária e logística sem precedentes para proteger o continente e conter aquela que é tida como uma das maiores ameaças epidemiológicas atuais.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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