Em meio à guerra em curso no Sudão, o Chade, o país que recebe o maior número de refugiados na África Central, viu uma ligeira melhoria na sua situação humanitária no ano passado. Entretanto, uma das nações africanas mais vulneráveis enfrenta dificuldades para apoiar 4 milhões de necessitados. 

Combates e condições humanitárias provocados pelo conflito que eclodiu entre forças militares rivais em abril de 2023 já deslocaram 14 milhões de pessoas. Os refugiados espalharam-se pelos sete países vizinhos do Sudão, de acordo com a ONU. 

Contexto 

Poucos países sentem os efeitos da guerra em curso de forma tão intensa como o Chade. Atualmente, é o maior país anfitrião de refugiados per capita em África, de acordo com a Agência da ONU para os Refugiados, Acnur. 

“O generoso acolhimento do Chade aos refugiados é um poderoso ato de solidariedade”, disse o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Barham Salih. 

Forças de segurança patrulham em Adré, no Chade

Mas, como o Chade, país sem litoral, acolheu mais de 900 mil refugiados sudaneses na sua fronteira oriental desde o início do conflito, 40% da sua própria população já precisa de ajuda. 

Por que é importante 

Frequentemente chamado de “Torre de Babel do mundo”, numa referência aos seus mais de 200 grupos étnicos e 100 línguas, o Chade enfrenta desafios multifacetados. 

Com mais de 42% da população vivendo abaixo do limiar da pobreza, o país está entre os mais pobres do mundo. 

Atualmente acolhendo mais de 1,5 milhão de refugiados, o Chade continua a manter as suas fronteiras com o Sudão abertas, enquanto enfrenta choques climáticos e desafios de segurança. 

Inundações e insegurança alimentar 

A palavra Chade traduz-se, numa língua local, como “grande massa de água”, refletindo à importância cultural do Lago Chade, que dá nome ao país. À medida que o lago continua a encolher devido às alterações climáticas e a outros fatores, o país enfrenta grandes inundações que devastaram a sua segurança alimentar. 

Só em 2024, as cheias destruíram mais de 432 mil hectares de culturas, o equivalente a mais de 600 mil campos de futebol. As enchentes afetaram quase 2 milhões de pessoas e expuseram fragilidades nas infraestruturas de água e saneamento, com surtos de cólera registados em julho do ano passado. 

Milhares de refugiados sudaneses continuam a atravessar a fronteira em busca de refúgio no Chade

Com uma população em rápido crescimento, o Chade ultrapassa largamente a sua capacidade de recursos, num contexto em que as taxas de desnutrição são altamente alarmantes.  

Estima-se que 2 milhões de crianças chadianas, com idades entre os seis e os 59 meses, sofram ou venham a sofrer de desnutrição aguda entre outubro de 2025 e setembro de 2026, incluindo cerca de 484 mil casos de desnutrição aguda grave, segundo o monitor global da fome, a Classificação Integrada da Segurança Alimentar, IPC. 

Pressões de segurança 

A situação de segurança é igualmente preocupante. Grupos extremistas violentos, incluindo o Boko Haram e afiliados, continuam a alimentar a instabilidade na bacia do Lago Chade, deslocando mais de 250 mil pessoas. 

No norte do país, redes de tráfico e mineração ilegal de carvão cruzam-se com violência baseada no género e trabalho infantil exploratório. Com 87% da população refugiada no Chade composta por mulheres e crianças, estas preocupações continuam a agravar-se. 

O que a ONU tem feito

Desde abril de 2023, o Governo do Chade e o Acnur ajudaram 67% dos refugiados do Sudão, devastado pela guerra, a instalar-se em assentamentos ampliados e recém-criados, onde refugiados e comunidades anfitriãs beneficiam dos serviços das equipas humanitárias. 

As agências das Nações Unidas e os seus parceiros continuam prestando assistência humanitária, tanto no Chade como no Sudão, a pessoas afetadas pelo conflito. 

Estima-se que 2 milhões de crianças enfrentem ou venham a sofrer de desnutrição aguda até setembro de 2026

Em 19 de fevereiro, o Conselho de Segurança da ONU dve discutir a crise em curso no Sudão, com destaque para a necessidade de pôr fim aos combates e aliviar o sofrimento da população, em particular face à violência generalizada contra mulheres e meninas. 

Relativamente às necessidades, o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, publicou o Plano de Ação Humanitária para 2026. O projeto indica que o número de necessitados no Chade diminuiu 42%, embora continue a ser elevado. 

O plano prevê US$ 986 milhões para apoiar 3,4 milhões de pessoas, incluindo US$ 540 milhões destinados exclusivamente aos refugiados. Segundo a porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, os esforços irão concentrar-se nas regiões mais afetadas, incluindo o leste do país, a província do Lago e partes do sul. 

Sobreviver à guerra e ao deslocamento 

Radwa Abdelkarim, uma mulher de 37 anos e mãe de seis filhos, fugiu para o Chade em junho de 2023 após “a guerra ter levado tudo.” 

“Perdemos o nosso dinheiro, os nossos familiares e vizinhos”, contou. A vítima explicou ainda que “alguns foram mortos, outros desapareceram e ainda estão desaparecidos.” 

Em segurança fora do Sudão, Abdelkarim juntou as suas competências empreendedoras à ajuda financeira do Acnur e começou a fazer e a vender pão a partir da sua casa no campo de refugiados de Farchana. Desde então, abriu duas mercearias, um restaurante e emprega 12 outros refugiados. 

Ele revelou que tem apoiado às mulheres refugiadas para que possam crescer juntos e para que ninguém fique para trás. O refugiado afirmou que é importante apoiar pessoas vivendo na mesma situação e ajudá-los a curar-se. 

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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