O chumbo rouba silenciosamente o futuro de milhões de crianças e causa 3,5 milhões de mortes por ano no mundo. Mas uma iniciativa global, liderada pelo Brasil, quer frear a contaminação e proteger a próxima geração.

Para a Organização Mundial da Saúde, OMS, que coordena o projeto, o potencial de centenas de milhões de crianças está a ser comprometido pela exposição contínua a essa substância.

Substância tóxica

O rastro dos danos irreversíveis causado ao desenvolvimento cerebral e à saúde de populações vulneráveis é reafirmado às vésperas da Semana Internacional de Prevenção do Envenenamento por Chumbo, que decorre de 18 a 26 de outubro.

Pnuma
Crianças foram afetadas por envenenamento por chumbo no estado de Zamfara, na Nigéria.

O aviso da OMS é que o contacto com esta substância tóxica é inteiramente evitável, mas menos da metade dos países possui controlos legais em vigor sobre tintas que contêm chumbo.

Segundo o diretor interino do Departamento de Ambiente, Alterações Climáticas, Saúde Única e Migração da OMS, Bruce Gordon “o envenenamento por chumbo não deveria estar a roubar o potencial das crianças em 2026.”

Ataque a múltiplos órgãos

A contaminação acontece em diversos contextos e materiais, desde tintas, panelas e cosméticos até temperos, reciclagem informal e fontes industriais. Mesmo em baixas quantidades, o chumbo ataca múltiplos órgãos, causando doenças cardiovasculares e renais em adultos.

Nas crianças, cujo sistema nervoso ainda se encontra em formação, os efeitos duram para toda a vida e incluem dificuldades severas de aprendizagem, problemas comportamentais e saúde fragilizada. 

Como os sintomas são invisíveis no início, o dano muitas vezes só é notado quando já se tornou permanente.

Brasil assume protagonismo

A agência realça o cenário em que o Brasil assume uma posição de protagonismo na resposta global. O país foi escolhido pela OMS para receber capacitação intensiva e suporte técnico focado na prevenção.

© OMS/Mikhail Grigorev
Apelo feito aos países é no sentido de agir antes que a substância alcance a corrente sanguínea de uma criança

Ao lado de nações como a Índia, o Nepal e seis nações da África Subsariana, o território brasileiro será um polo vital de desenvolvimento para melhorar e expandir a capacidade laboratorial de testagem de níveis de chumbo no sangue.

A no Brasil permitirá a deteção precoce da exposição, salvando inúmeras mentes jovens antes que o dano cognitivo se instale. A ação faz parte da Iniciativa de Prevenção do Envenenamento por Chumbo, que une a OMS e parceiros internacionais para travar a contaminação na raiz.

Caminho definitivo

O apelo feito aos países é no sentido de agir antes que a substância alcance a corrente sanguínea de uma criança.

Com o novo pacote técnico Prevent, a ser lançado em 2027, o mundo traça um caminho definitivo para a erradicação desta ameaça estando na linha da frente da transformação.

Tendo a meta de guiar regulações rigorosas e o Plano de Ação Global a ser apresentado à Assembleia Mundial da Saúde no próximo ano, o Brasil recebe o apoio para garantir um futuro de crianças definido sem este perigo oculto

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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