Neste 29 de maio, o mundo se une para celebrar o Dia Internacional dos Boinas-Azuis das Nações Unidas. O lema é “Investir na Paz”.
Dezenas de milhares de capacetes azuis estão destacados para proteger civis em cenários de alto risco pelo globo. Em mensagem de vídeo, o secretário-geral ressalta que, desde 1948, mais de 4,5 mil elementos perderam a vida em serviço, incluindo 59 somente no último ano.
Para lá das armas: Proteger hospitais e salvar vidas
António Guterres defende que o investimento em operações de paz é a forma mais eficaz e econômica de restaurar a estabilidade e a esperança.
A maior força de paz da ONU no mundo está na República Democrática do Congo, RD Congo, e é liderada pelo general Ulisses Gomes, do Exército Brasileiro.
Sob sua administração, o mandato redesenhou o significado de “manter a paz”, aliando a segurança militar com uma linha de frente humanitária e de saúde pública no combate ao vírus ebola, em meio ao novo surto surgido este mês.
Segurança em postos de saúde
A ONU News conversou com o general Ulisses Gomes, que visitou Bunia, na província de Ituri, o epicentro do atual surto de ebola, onde as tropas da Missão da ONU na República Democrática do Congo, Monusco, não pararam desde o surgimento dos primeiros casos.
“Nós estamos com o mandato de proteção de civis e, além disso, aumentamos as nossas operações diurnas e noturnas e em apoio aos centros de saúde e hospitais para evitar problemas nas cercanias com a população tentando invadir os hospitais. Nós aumentamos a segurança nesses postos de saúde. A missão, com respeito à logística, está fornecendo apoio crítico para garantir a rápida entrega de suprimentos, médicos, equipamentos e pessoal de resposta às áreas afetadas, particularmente na província de Ituri, que foi o epicentro do vírus ebola.”
Logística de alta engenharia no isolamento
No caso da RD Congo, o investimento na paz traduz-se em mobilidade e rapidez. Para enfrentar o desafio das regiões isoladas e de difícil acesso por estrada, a Monusco montou uma operação logística sem precedentes atuando com a Organização Mundial da Saúde, OMS, e autoridades nacionais congolesas.
Os componentes essenciais incluem mobilidade terrestre com a doação de diversos meios de locomoção ligeiros à OMS para permitir o rastreio ágil de doentes e o rastreamento de contactos em aldeias remotas.
A ajuda militar acontece ainda por meio do suporte aéreo com o posicionamento estratégico de um helicóptero para voos rápidos em áreas afetadas sempre que necessário.
Apelo por liberdade de movimento
As tropas de paz realizam ainda a evacuação de alto risco com o envio a caminho da cidade de Bunia, de ambulâncias e veículos blindados para garantir a segurança dos ataques contra o pessoal médico em zonas de forte instabilidade.
Um dos grandes desafios enfrentados pelo comandante brasileiro e pelas Nações Unidas é o fechamento de fronteiras por parte de países vizinhos devido ao medo da disseminação do vírus. O general Ulisses Gomes compreende a prevenção, mas faz um alerta crucial.
“O pessoal da Monusco e os agentes humanitários precisam dessa liberdade de movimento. As operações de carga e o fluxo de equipes são essenciais para fazer chegar suprimentos e equipamentos que salvam vidas de forma rápida e eficaz ao terreno. Para fortalecer a mobilidade das equipes de saúde desenvolvidas no rastreamento dos enfermos e a resposta rápida, a Monusco também forneceu diversas motocicletas para a OMS, tendo em vista que essas localidades, na sua maioria, são isoladas e de difícil acesso com veículos.”
Desinformação: outro inimigo invisível
No palco de operações, as balas e os vírus não são as únicas ameaças; as notícias falsas também matam. A Monusco identificou a desinformação como um grande obstáculo no combate ao ebola.
O general brasileiro Ulisses de Mesquita Gomes (à direita), acompanhado pela missão da Monusco em Bunia, na República Democrática do Congo
Por uma postura “altamente proativa”, os soldados de paz realizam patrulhas de sensibilização e reuniões com líderes locais e comunitários para explicar o papel da ONU, desmistificar o tratamento da doença e elevar a consciência da população.
Neste Dia Internacional dos Boinas-Azuis, o chefe das Nações Unidas lembra que os ataques a forças de paz são graves violações do direito internacional humanitário. Ele destaca que honrar os homens e mulheres que servem na linha da frente significa dar-lhes o apoio político e o financiamento fiável de que precisam.
O apoio ao trabalho de equipes como a do general Ulisses Gomes e milhares de operacionais no Congo não é apenas “um ato de solidariedade”. A ONU ressalta que investir na paz hoje é investir num amanhã mais seguro para todos.
Monusco é uma das maiores e mais desafiadoras missões de paz da ONU com 45 países representados
*Eleutério Guevane é jornalista-sênior da ONU News.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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