As primeiras horas e dias após um desastre natural são de muito caos e desespero. Para contê-los, a palavra-chave é coordenação. 

Por isso, perante um evento extremo, os países têm a opção de solicitar o envio de uma equipe da ONU especializada em Avaliação e Coordenação em Desastres, a Undac, vinculada ao Escritório das Nações Unidas de Assuntos Humanitários, Ocha.

Envio de equipes em 48 horas

Neste Dia Mundial Humanitário, a ONU News conversou com o líder desta equipe, Sérgio da Silva, que explicou o que acontece logo que os pedidos de ajuda chegam na sua mesa.

“Recebemos o pedido do Estado afetado e mobilizamos seguindo quais são as necessidades nessa rede de especialistas que temos no mundo inteiro. E dentro de umas horas, no máximo 48 horas, podemos mandar essas equipes no centro mesmo desses desastres, para apoiar as equipas nacionais”.

Os times de auxílio podem incluir bombeiros, sismólogos, logísticos, engenheiros ambientais, entre outros. Atualmente são mais de 300 especialistas treinados que estão disponíveis para convocação imediata. 

Organizando a ajuda externa

Chegando no país onde ocorreu o desastre, o primeiro passo é contactar as autoridades nacionais para entender como complementar o trabalho que já está sendo feito. O segundo é organizar toda a ajuda externa que começa a chegar. 

“Logo no aeroporto nós montamos uma cédula pequena que chamamos coordenação da recepção e partida das equipas. Quando uma equipa internacional chega, toma logo contacto com a equipa Undac, lá no aeroporto, para termos já os contactos e saber quais são os meios que essa equipa tem à disposição”.

Após furacões, terremotos e inundações, cada minuto conta para alcançar as pessoas que estão isoladas ou sob escombros. Sérgio afirma que nessas horas iniciais, “a coordenação em meio ao caos e à confusão é vital para salvar vidas”. 

Sergio da Silva/Arquivo pessoal
O líder da Undac, Sérgio da Silva, trabalha numa área inundada em Moçambique.

Atuação no epicentro dos desastres

Para realizar avaliações, os profissionais da Undac precisam ir ao epicentro dos desastres e muitas vezes são a primeira equipe internacional a chegar nessas áreas. Por isso, os times são autossuficientes e levam consigo tendas para dormir, água potável, fontes de energia, rede de comunicação e suprimentos médicos. 

Sérgio da Silva integrou no começo deste ano a equipe que respondeu às cheias em Moçambique. Ele relatou que a prioridade era chegar nas pessoas que ficaram isoladas devido a destruição de pontes e estradas. O especialista ajudou a mapear locais de difícil acesso, traçou rotas e viabilizou transporte com helicópteros e barcos.

Para o líder do Undac, a motivação para seguir trabalhando em emergências vem do espírito de solidariedade que se manifesta nesses contextos de crise, quando todos se unem para ajudar as pessoas afetadas. 

Fonte de motivação

“Em Moçambique, muitas organizações nacionais e locais, de cidadãos, nas aldeias, nos distritos, cada um conseguiu juntar o necessário para ajudar as pessoas mais afetadas e isso também me motiva. É quando toda a gente vem junta e é isso mesmo que faz a diferença, principalmente hoje em dia, que nós vemos desastres cada vez mais importantes, ligados a essas mudanças climáticas. A escala dos desastres é muito maior, cada vez maior a cada ano”.

Ele ressaltou que na maior parte dos casos, nenhum país é capaz de responder sozinho quando um desastre desses ocorre. Portanto, essa solidariedade é crucial. 

Sergio afirmou que os resultados mais valiosos do seu trabalho são ver o sorriso na cara de uma criança ou alguém que conseguiu encontrar a família a salvo. Ele ressaltou que essas cenas bastam para gerar a motivação necessária para todas as missões que virão a seguir.

*Felipe de Carvalho é jornalista da ONU News

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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