O desemprego entre os jovens está aumentando em todo o mundo. A taxa geral de 12,3% (2023 e 2024) pulou para 12,4% no ano passado. Os dados constam do relatório da Organização Internacional do Trabalho, OIT. Ao todo, são 67 milhões de pessoas entre 15 e 24 anos que estão fora do mercado.
Para milhões de jovens, trabalho bom e digno está se tornando um alvo difícil. Entre 2023 e 2025, as taxas de desemprego aumentaram em oito das 11 sub-regiões.
Tecnologia a favor
A desaceleração do crescimento econômico, a fraca criação de empregos, as tensões geopolíticas e as rápidas mudanças tecnológicas levam os países em direção a uma nova crise de empregos para os jovens. É o que diz o relatório Tendências Globais do Emprego para os Jovens 2026: de volta ao futuro.
Segundo Eesha Moitra, especialista em emprego da OIT, o desafio não é apenas criar mais empregos para os jovens. Mas sim, investir melhor em competências, direitos e proteção social, e garantir que a tecnologia trabalhe a favor deles.
América Latina e países lusófonos
No total, há 257 milhões de jovens que não estão empregados, estudando ou em formação profissional (Neet, na sigla em inglês) – ou seja, 1 em cada 5. A realidade é ainda mais difícil para as mulheres: em 2025, mais de dois em cada três jovens viviam assim.
Com 27,4%, a taxa de jovens mulheres que não trabalhavam nem estudavam nem faziam formação era mais do que o dobro da dos jovens homens (13,1%).
Ao destacar que a taxa de desemprego na América Latina teve queda de 1,4 ponto percentual, ficando em 11,9% em 2025, o relatório cita que os países de maior peso demográfico na região: Brasil, Colômbia e México, que formam o grupo de países com taxas de desemprego juvenil em declínio, foram responsáveis pela queda na taxa regional.
Além disso, o documento da OIT apresenta as taxas de desemprego (para todos os níveis de educação) de países de língua portuguesa: Angola (17,6%), Portugal (13,1%), Moçambique (10,9%), Brasil (10,5%), São Tomé e Príncipe (6,9%), Guiné-Bissau e Timor-Leste (3,2%).
Mulheres continuam enfrentando maior índice de desemprego na comparação com homens.
Criar empregos para jovens é um dos investimentos mais inteligentes
Segundo o diretor-geral da OIT, Gilbert F. Houngbo, “uma geração que não consegue encontrar trabalho decente não pode construir seu futuro com confiança”. Quando os jovens são excluídos de empregos de qualidade, os países perdem talentos, produtividade e coesão social.
Ele disse também que criar empregos decentes para os jovens não é apenas um imperativo social; é um dos investimentos mais inteligentes que um país pode fazer.
O declínio de vários empregos que exigem qualificação intermediária faz com que muitos jovens tenham dificuldade para encontrar carreiras estáveis.
Diminuem as vagas que funcionavam como portas de entrada para os jovens – funções administrativas e de escritório, por exemplo, ocupações nos setores de serviços e vendas.
A realidade nas economias de alta renda e em desenvolvimento
Na América do Norte, o desemprego entre os jovens aumentou, passando de 8,3% em 2023 para 9,8% em 2025. No Norte, Sul e Oeste da Europa, permaneceu elevado, em 15% em 2025.
Olhando para os países em desenvolvimento, o desafio continua sendo criar empregos decentes em quantidade suficiente para absorver as populações jovens. As baixas taxas de desemprego escondem uma ampla insegurança no mercado de trabalho, já que muitos não podem se dar ao luxo de permanecer desempregados e acabam ingressando em trabalhos informais ou instáveis.
Quase nove em cada 10 jovens entre 15 e 29 anos em países de baixa e média renda estão empregados informalmente, o que limita o acesso a rendimentos estáveis e à proteção social.
O trabalho decente é fundamental para a justiça social.
Tecnologia está transformando o emprego dos jovens
O relatório constata que as mudanças tecnológicas, incluindo os avanços na inteligência artificial, transformam as oportunidades para os jovens trabalhadores.
Estima-se que 6,1% dos empregos ocupados por eles estejam em profissões altamente expostas a mudanças relacionadas à IA. Muitas dessas ocupações coincidem com aquelas que exigem qualificação intermediária que vêm diminuindo. Ao mesmo tempo, a demanda continua crescendo em algumas ocupações técnicas baseadas no conhecimento, em áreas como ciência, saúde e engenharia.
De volta a um futuro em direção ao trabalho docente
O relatório conclui que o desafio não é apenas criar mais empregos, mas garantir que eles ofereçam segurança, dignidade e oportunidades para uma transição bem-sucedida para a vida adulta. Além disso, é preciso ajudar os jovens a navegar em um mundo do trabalho cada vez mais incerto. Entre as principais medidas de políticas públicas estão, por exemplo:
*Valéria Maniero é correspondente da ONU News em Genebra. Texto produzido com informações da OIT.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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