No Sudão, 14 milhões de pessoas já foram forçadas a fugir da violência desde o início do conflito, que começou em 15 de abril de 2023.
A representante no Sudão da Agência da ONU para Refugiados, Marie-Helene Verney, explicou que um quarto da população do país está deslocada.
Para muitos, o deslocamento tem sido um ciclo repetido e exaustivo de fuga em busca de segurança. Com a crise no Sudão entrando em seu quarto ano, os combates continuam intensos em grande parte do país, causando novos deslocamentos e prolongando a tragédia diária de milhões de pessoas.
Acampamento de deslocados internos sudaneses em um centro de acolhimento em Tawila, após fugir de El Fasher e das áreas vizinhas de Darfur do Norte em outubro de 2025.
Violações de direitos humanos de todos os tipos
Dos 14 milhões de deslocamentos, 9 milhões de pessoas permaneceram dentro do próprio Sudão e 4,4 milhões atravessaram fronteiras.
Segundo a representante do Acnur, o aumento recente do uso de bombardeios aéreos e drones tem forçado ainda mais pessoas a fugir. Violações de direitos humanos continuam ocorrendo, incluindo violência sexual relacionada ao conflito, recrutamento forçado, prisões arbitrárias e massacres.
Os civis estão em risco, com relatos frequentes de assédio, violência e sequestros durante o trajeto em busca de segurança.
Mulheres e meninas continuam enfrentando riscos elevados de violência sexual, exploração e abuso, especialmente ao atravessarem áreas inseguras. A representante do Acnur também disse que o colapso dos sistemas de saúde, de aplicação da lei e dos mecanismos de justiça criou um ambiente de impunidade generalizada. E quem consegue sobreviver à violência de gênero enfrenta barreiras significativas para denunciar os casos e acessar serviços médicos, por exemplo, o que reforça o ciclo de abuso e subnotificação.
A maior crise em tempos de escassez de financiamento
O Sudão representa a maior crise de deslocamento do mundo e uma das piores emergências de proteção. A situação continua a se agravar em meio a uma severa escassez global de financiamento. As agências humanitárias, incluindo o Acnur, receberam até agora apenas 16% dos US$ 2,8 bilhões necessários para fornecer assistência dentro do Sudão e 8% dos US$ 1,6 bilhão de dólares destinados à resposta regional aos refugiados.
O Acnur informa que sem uma renovada e sustentada atenção e apoio global, o sofrimento e os riscos só aumentarão para os milhões de deslocados e para toda a região. Isso tornaria essa crise ainda mais desestabilizadora e mais cara de se resolver — um custo que o Sudão e o mundo não têm condições de suportar.
Pessoas que fugiram de El Fasher chegam a Tawila, no norte de Darfur, Sudão
Infância comprometida
Milhões de crianças já passaram três anos de sua infância em deslocamento, com consequências profundas para o futuro delas. A maioria teve pouco ou nenhum acesso à educação. Mais de 58.000 crianças chegaram sozinhas a países vizinhos, separadas de suas famílias durante a fuga, muitas vezes feridas e profundamente traumatizadas.
A representante do Acnur informou também que os países vizinhos que acolhem a maioria dos refugiados sudaneses — especialmente Chade, Egito e Sudão do Sul — estão no limite de sua capacidade. Ao mesmo tempo, muitos sudaneses deslocados estão retornando a áreas onde os combates diminuíram significativamente.
Cerca de 80% desses retornos são de deslocados internos, juntamente com 870.000 refugiados vindos de países vizinhos. A maioria retorna aos estados de Al Jazeera e Sennar, com quase 1,5 milhão voltando para Cartum, onde as condições são extremamente precárias: a infraestrutura e os serviços básicos foram amplamente destruídos, a economia está arrasada e o tecido social profundamente fragilizado. É crucial apoiar os que retornam para mitigar o risco de novos deslocamentos, segundo o Acnur.
Aumento de mais de 200% nas chegadas à Europa
Um número crescente de sudaneses também está fazendo a perigosa travessia pela Líbia em direção à Europa. Mais de 14.000 chegaram à Europa entre 2024 e 2025, um aumento de 232% desde o início do conflito.
A representante da Acnur ressalta que esses movimentos não são motivados por escolha ou conveniência, mas pela falta de perspectivas de paz e pelas necessidades não atendidas no Sudão e além de suas fronteiras. A paz — ou, no mínimo, respostas humanitárias e de desenvolvimento mais bem financiadas — é urgentemente necessária para permitir que os sudaneses vivam com dignidade, onde quer que estejam.
*Valéria Maniero é correspondente da ONU News em Genebra
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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