Nesta sexta-feira, agências das Nações Unidas alertaram para a emergência humanitária que está se agravando rapidamente na cidade de Taiz, no Iêmen. 

A cidade encontra-se cercada por forças Houthis, que combatem as tropas governamentais ao longo da costa oeste do país.

Civis sob fogo cruzado

O centro urbano de Taiz permanece isolado há 20 dias, com os combates impossibilitando a entrada de ajuda humanitária e o deslocamento de civis.

 As vias de acesso foram cortadas, dificultando a entrada de combustível, alimentos e suprimentos. A informação é de Jens Laerke, porta-voz do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha.

© UNICEF/Ahmed Al-Basha
WFP avaliou mais de 168 mil crianças em Taiz

De acordo com o Programa Mundial de Alimentos, WFP, mais de 800 mil pessoas em Taiz continuam sem acesso a auxílio humanitário. 

Funcionários da agência tentam reestabelecer o acesso à cidade enquanto prestam auxílio à população afetada em outras partes do Iêmen, segundo Azfar Deen, responsável regional de comunicações da agência.

Preço da água dispara

Em um momento em que a grande maioria dos residentes depende do abastecimento por caminhões-pipa, a escassez de água na cidade torna-se uma preocupação crescente. 

Laerke revelou que, com as estradas bloqueadas e a escassez crítica de óleo diesel para os caminhões, a disponibilidade de água na cidade caiu pela metade, e o custo do transporte praticamente triplicou.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, também expressou preocupação com a fome generalizada no país.

Milhares de crianças enfrentam desnutrição

A agência, que avaliou mais de 168 mil crianças em Taiz, identificou 52 mil casos de desnutrição aguda e 11,5 mil casos de desnutrição aguda grave.

© WFP/Hebatallah Munassar
Agências ressaltam que muitas famílias estão passando por deslocamentos sucessivos

Os suprimentos alocados pela agência em toda a província de Taiz são suficientes para manter os serviços essenciais durante aproximadamente três meses, afirmou o porta-voz da agência, Ricardo Pires. 

No entanto, as restrições de acesso e as interrupções nas rotas de abastecimento podem dificultar o transporte de mantimentos pelos parceiros, bem como o acesso seguro das famílias aos locais de tratamento.

Aumento no número de deslocados

A escalada do conflito em setembro entre as forças Houthis e o governo, sediado em Áden, rompeu a trégua estabelecida em 2022. Os relatos indicam que, desde agosto, pelo menos 1.574 pessoas morreram e outras 6.939 ficaram feridas no conflito.

Entre 7 de junho e 19 de outubro de 2026, a Organização Internacional para as Migrações, OIM, registrou aproximadamente 258.679 pessoas deslocadas, sendo a maioria proveniente das províncias de Taiz e Lahj. 

Além disso, até 17 de outubro, 3.836 cidadãos iemenitas chegaram ao Djibuti, fugindo do agravamento da situação de segurança.

As agências ressaltam que muitas famílias estão passando por deslocamentos sucessivos, buscando refúgio em centros de acolhimento e em comunidades locais já sobrecarregadas.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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