Em 2025, mais de 90% dos bebês em todo o mundo, cerca de 116 milhões, receberam pelo menos uma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche, DTP. 

Dados divulgados nesta quarta-feira pela Organização Mundial da Saúde, OMS, e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, revelam ainda que 85%, ou 110 milhões de menores, completaram as três doses.

Situação nos países de língua portuguesa

As estimativas mostram que, embora ambos os indicadores tenham apresentado uma leve melhora em relação ao ano anterior, a cobertura global continua um ponto abaixo dos níveis registrados em 2019, que servem de referência para as metas da Agenda de Imunização 2030.

No Brasil a cobertura da primeira dose de DTP atingiu o nível mais baixo em 2021, chegando a 74%, mas o país registrou um aumento para 98% em 2025. Em relação às três doses, a nação sul-americana atingiu 86% de cobertura no ano passado, em comparação com os 68% registrado em 2021.

Os dados do relatório indicam ainda 99% de cobertura da primeira dose em Portugal, 93% em Cabo Verde, 90% em Moçambique e na Guiné-Bissau, 89% em Timor-Leste, 87% em São Tomé e Príncipe, 84% n Guiné Equatorial e 67% em Angola.

Unicef/UNI314697/Ryeng
Amin Muktar, de 4 meses, está sentado no colo da mãe enquanto aguarda para receber as vacinas contra a poliomielite e a pentavalente no Centro de Atenção Primária à Saúde de Nyakuron, em Juba, Sudão do Sul

Quase 20 milhões de crianças não vacinadas ou com vacinação incompleta

Segundo a OMS, há 19,6 milhões de crianças não vacinadas ou com vacinação incompleta. Desse total, 13,5 milhões estão na categoria “dose zero”, ou seja, não receberam nenhum imunizante durante o primeiro ano de vida em 2025, ficando vulneráveis ​​a doenças que podem ser prevenidas. O restante, em torno de 6,2 milhões, recebeu proteção apenas parcial.

Em todo o mundo, ainda há 674 mil crianças a mais na categoria “dose zero” agora do que em 2019, mas 745 mil a menos do que em 2024. Globalmente, nove países concentraram 52,4% de todas as crianças “dose zero”. Eles são: Nigéria, República Democrática do Congo, Iêmen, Índia, Indonésia, Etiópia, Afeganistão, Paquistão e Angola, o único dentre as nações lusófonas.

Onde mora a maior parte das crianças sem vacinação

De acordo com os dados, mais da metade dessas crianças “dose zero” vive em países frágeis, afetados por conflitos ou vulneráveis, embora representem apenas cerca de um terço da população infantil mundial. 

Nesses contextos, os programas de imunização frequentemente sofrem com instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crônico. Na Síria, por exemplo, a cobertura da primeira dose da DTP caiu seis pontos percentuais em apenas um ano, enquanto a da primeira dose contra o sarampo recuou 12 pontos percentuais.

Já o Sudão registrou o maior avanço entre todos os países no último ano, aumentando em 35 pontos percentuais a cobertura da primeira dose da DTP e em 22 pontos a da primeira dose contra o sarampo, demonstrando o que é possível alcançar quando o acesso aos serviços melhora, mesmo em meio a conflitos contínuos.

© Unicef/UNI561135/Minzayar Oo.
Vacinação apoiada pela Unicef em aldeia remota do estado de Shan, Mianmar

OMS: toda criança merece a proteção vital oferecida pelas vacinas

Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, toda criança, independentemente de nascer na riqueza ou na pobreza, em paz ou em meio ao conflito, merece a proteção vital que as vacinas oferecem. 

A imunização, de acordo com o chefe da agência, é uma das intervenções mais econômicas, equitativas e confiáveis para proteger a saúde e o bem-estar infantil. Segundo ele, é preciso garantir que todas as pessoas, onde quer que vivam, estejam protegidas contra doenças fatais que as vacinas têm o poder de prevenir.

Nos países de renda média e alta, mesmo onde as vacinas estão plenamente disponíveis, a cobertura está diminuindo devido à redução do compromisso político, desafios estruturais. Outro desafio é o aumento da hesitação vacinal, que significa o atraso ou recusa em aceitar vacinas recomendadas, memo quando estão disponíveis. Na África do Sul, por exemplo, a cobertura da primeira dose da DTP caiu 20 pontos percentuais desde 2019 e continuou diminuindo em 2025.

As estimativas sobre a cobertura nacional de imunização são o maior conjunto de dados do mundo sobre as tendências de cobertura vacinal infantil para 13 doenças preveníveis por vacinação em 195 países.

Avanço, estagnação e retrocesso

Desse conjunto de países, 100 mantiveram cobertura de pelo menos 90% com as três doses da vacina DTP desde 2019, com pouco progresso na ampliação desse grupo. 

Entre os que estavam abaixo de 90% de cobertura em 2019, 30 conseguiram melhorar ao longo dos últimos seis anos. Porém, 65 permanecem estagnados ou retrocedendo, incluindo 13 países frágeis, afetados por conflitos ou em situação de vulnerabilidade. Os dados da OMS e da Unicef mostram como os países estão avançando para alcançar as metas da Agenda de Imunização 2030.

HPV: 22,8 milhões de meninas de países onde vacina não está no programa

O relatório também mostra que a cobertura vacinal contra o HPV também continua avançando, embora em um ritmo mais lento do que em anos anteriores. Globalmente, 33% das meninas, cerca de 22,5 milhões, receberam pelo menos uma dose da vacina contra o HPV em 2025, com a implementação de programas para essa vacina em 15 novos países.

Das 44 milhões de meninas restantes, 32%, ou 20,8 milhões, não foram alcançadas pelo programa de vacinação contra o HPV em seus países, e 35%, 22,8 milhões, vivem em países onde a vacina não faz parte do programa de imunização. Segundo os dados da OMS, a cobertura da última dose da vacinação contra o HPV entre meninas aumentou de 28% para 31% em 2025.

*Valéria Maniero é correspondente da ONU News em Genebra.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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