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Embora a sua Missão de Observação tenha criticado duramente as Eleições Gerais e Províncias de 2019, chegando a declarar que as vitórias esmagadoras do partido Frelimo e dos seus candidatos foram “altamente improváveis”, o embaixador António Sanches-Benedito Gaspar deixou claro que: “a União Europeia continua plenamente engajada e comprometida” com o Governo do partido Frelimo.

O relatório final da Missão de Observação da União Europeia às eleições de 15 de Outubro passado assinala que: “A FRELIMO beneficiou não só dos oito mandatos adicionais atribuídos à província de Gaza, como também da impressionante mudança do padrão de voto nas províncias centrais, onde a oposição detinha a maioria dos mandatos. Uma análise das mudança dos padrões de voto nas eleições presidenciais entre 2014 e 2019 revela o sucesso de uma estratégia centralizada com o objectivo de aumentar os votos a favor do partido no poder nos distritos da oposição”.

“Houve uma surpreendente inversão dos resultados na províncias maioritariamente da oposição como Sofala, Nampula e Zambézia e nos distritos da oposição nas províncias de Manica, Tete e Niassa (como Báruè, Tsangano e Ngaúma, respectivamente)” indica o documento tornado público nesta quarta-feira (12) em Maputo.

A conclusão da Missão de Observação, que foi dirigida pelo eurodeputado Nacho Sánchez Amor, é que: “Tal inesperada, direcionada e significante mudança nas preferências de voto, estritamente limitadas aos distritos da oposição, e contrariando os resultados das eleições autárquicas de 2018, são altamente improváveis tanto devido ao ambiente político polarizado como às preferências de voto profundamente enraizadas. A maioria da FRELIMO em todos os 154 distritos foi assim alcançada através de um cuidadoso foco nos distritos e províncias da oposição”.

Porém o embaixador da União Europeia em Moçambique, António Sanches-Benedito Gaspar, declarou que o relatório “não constitui nenhuma ingerência”, afinal os observadores eleitorais europeus vieram a convite do Governo do partido Frelimo.

“São processo de longo prazo, temos agora um conjunto de recomendações, que não é nenhuma imposição, mas acho que há um bom acolhimento nas diferentes reuniões que já tivemos com representantes das mais altas instituições do Estado que poderão ajudar-nos no nosso trabalho quotidiano de diálogo com as autoridades moçambicanas”, acrescentou António Sanches-Benedito Gaspar na conferencia de imprensa de apresentação do relatório.

O diplomata enfatizou: “Queria salientar que a União Europeia continua plenamente engajada e comprometida com Moçambique, existe o desejo de continuar a ajudar, sabemos que há desafios importantes mas também existe uma vontade real de enfrenta-los e de avançar”.

Esta posição de não ingerência, parceria, amizade, cooperação da União Europeia tornou-se na última década também numa relação de negócios: as dívidas ilegais foram contraídas na Europa e parte significativa do dinheiro foi gasta lá, as petrolíferas que exploram o gás natural da Bacia do Rovuma estão sedeadas nas principais capitais europeias, o camarão de Moçambique é principalmente pescado por europeus…

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