Portugal, país que acolhe a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas a partir de segunda-feira, quer inspirar o mundo a investir nas biotecnologias marinhas.

O ministro da Economia e do Mar recebeu a ONU News em seu gabinete, em Lisboa, às vésperas do evento de alto-nível. António Costa Silva explicou como o ecossistema marinho pode fornecer matéria-prima para substituir o plástico.

Biomaterial

“Nós acreditamos profundamente no potencial das biotecnologias marinhas, isso é, começarmos a usar produtos biológicos, biomas marinhos, as algas e outros produtos para substituir aqueles que são poluentes como os plásticos, como os fertilizantes que afetam muito os terrenos. Portanto os biopolímeros, os biomateriais são essenciais e podem reconfigurar muitas das cadeias de produção que nós temos hoje. A nossa economia tem que mudar, tem que ser muito mais sustentável e, portanto, o oceano pode providenciar a nível dos biomateriais muitos dos principais componentes para reconfigurar.”

O ministro da Economia e do Mar de Portugal tem ainda uma proposta para a criação de ilhas artificiais energéticas.

António Costa Silva explica que o vento marinho do país é um “recurso de grande qualidade”, propício para a produção em massa de hidrogênio.

Economia azul

Energia limpa, como a eólica, é chave para emissões zero.

“O hidrogênio é muito versátil. Pode despertar na mobilidade, por exemplo com as células de combustível, na mobilidade sobretudo dos caminhões de longa duração. Pode ser na marinha, nos sistemas todos que movimentam os barcos, já há testes para aviões, portanto o hidrogênio pode desempenhar um papel importante. Depois pode desempenhar um papel no armazenamento e eu acho que deste ponto de vista, essas ilhas artificiais, plataformas multiuso, podem ser chave para a economia do oceano, a economia sustentável.”

António Costa Silva afirma que essas plataformas também funcionam para proteger a erosão costeira. Segundo ministro, cerca de 25% da costa portuguesa já está sofrendo com o problema.

O ministro português espera que a Conferência dos Oceanos da ONU provoque movimentos “de baixo para cima”, com a mobilização de cientistas e da sociedade civil inspirando governos e setor privado. O encontro acontece em Lisboa de 27 de junho a 1 de julho.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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