As Nações Unidas anunciaram esta terça-feira que o mundo terá um recorde de 235 milhões de pessoas que precisarão de ajuda humanitária e proteção em 2021. 

Dificuldades causadas pela pandemia, fome, conflitos e mudanças climáticas estão entre os fatores para o aumento de quase 40% de pessoas precisando de ajuda,  em comparação com o total do ano passado.

Grupo de deslocados na capital de Cabo Delgado, Pemba

Pobreza extrema

Pelo menos 736 milhões de pessoas poderão estar em situação de pobreza extrema até o final do próximo ano, de acordo com o relatório Visão Humanitária Global.

O plano da organização é alcançar 160 milhões de pessoas com maior necessidade em 56 países afetados por crises em 2021. O documento enfatiza que essa meta será alcançada se a maioria dos planos nacionais receber o total de US$ 35 bilhões.

Falando antes do lançamento, em Genebra, o subsecretário-geral de Assistência Humanitária, Mark Lowcock,  mencionou a situação no norte de Moçambique pelo efeito de novos conflitos “em lugares antes pacíficos” entre outros já antigos que contribuíram para aumentar as necessidades. 

Essas crises acontecem em Nagorno-Karabakh, Saara Ocidental e no norte da Etiópia e “não substituíram os conflitos que foram resolvidos e acalmados em outros lugares”.  

Refugiados da Etiópia atravessando fronteira para o Sudão

Choques 

Mas a Covid-19  foi o fator mais determinante da situação humanitária. O chefe humanitário lembrou que os países mais ricos investiram cerca de US$ 10 trilhões para evitar o desastre econômico da recessão e estariam vendo “a luz no fim do túnel”. Mas o mesmo não ocorre em nações mais pobres.

A crise global de saúde afetou de “forma dramática” as pessoas que já se recuperavam de conflitos, níveis recordes de deslocamento e eventos climáticos extremos. 

O chefe humanitário alertou para a iminência de “múltiplas” situações de falta de alimentos e fome. De acordo com o representante, a situação é “desesperadora” para milhões e deixou as Nações Unidas e parceiros com poucos recursos.

O coordenador humanitário disse que o quadro apresentando é “a perspectiva mais sombria sobre as necessidades humanitárias no próximo período”. Lowcock explicou que a situação é um reflexo do fato de que “a pandemia causou carnificina em todos os países mais frágeis e vulneráveis do planeta. ”

Meninas em acampamento para pessoas deslocadas pelo conflito no Iêmen.

Necessidade

Em mensagem sobre o relatório, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apela o mundo que “estejam com as pessoas em sua hora mais sombria de necessidade” num momento em que a pandemia global continua a piorar.

Guterres destaca que embora o sistema humanitário tenha entregue “alimentos, remédios, abrigo, educação e outros bens essenciais a dezenas de milhões de pessoas a crise está longe de terminar”.

Para o chefe humanitário, a crise empurrou milhões de pessoas para a pobreza e fez disparar as necessidades. Lowcock enfatizou que é preciso financiar a ajuda para “evitar a fome, combater a pobreza e manter as crianças vacinadas e nas escolas.”.

O valor também será aplicado no Fundo Central de Resposta a Emergências, Cerf, para combater o aumento da violência a mulheres e meninas que esteja associada à pandemia.

O chefe humanitário, Mark Lowcock alertou para a iminência de “múltiplas” situações de falta de alimentos e fome.

Conquista

Lowcock destacou que se no ano 2021 não houver grandes focos de fome, essa “será uma conquista significativa”. 

Sobre o impacto da mudança climática e do aumento das temperaturas globais para a previsão de necessidades humanitárias em 2021, Lowcock disse ter sido “mais agudo nos países que também têm os maiores problemas humanitários.” 

Pelo menos em 80% das nações países mais expostas aos efeitos das alterações do clima as agências humanitárias “já têm muito trabalho a fazer”.

Além de fornecer os meios para ajudar as comunidades em crise, Lowcock destacou que deve haver foco na ação preventiva.
 

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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