ESPECIAL: Boina-azul do Maláui recebe homenagem póstuma pelo valor excepcional servindo à ONU

As Nações Unidas entregaram pela primeira vez a Medalha Capitão Mbaye Diagne para Coragem Excepcional a título póstumo. O homenageado foi o soldado de paz Chancy Chitete, do Maláui, que foi morto enquanto tentava salvar a vida de um companheiro.

O militar seguia numa patrulha que tinha a tarefa de impedir ataques de um grupo armado que vinha travando o acesso ao tratamento do ebola na República Democrática do Congo, RD Congo.

O Secretário-Geral da ONU cumprimenta Lachel Chitete Mwenechanya, a viúva do soldado Chancy Chitete, ex-agente da paz da ONU, do Maláui. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Sobrevivente

Nessa operação, grupos de milícias atiraram contra as forças de paz. O soldado de paz malauiano foi morto em ação. Esse momento é lembrado pelo colega  sobrevivente Ali Khamis Omary, falando à ONU News de Dar es Salaam, na Tanzânia.

Omary disse que Chitete aplicou uma atadura na perna dele enquanto ambos ainda estavam envolvidos no combate. Depois de algum tempo, ele encontrou seu companheiro morto, vítima de balas do grupo armado.

Foi Chitete que viu o companheiro Omary ferido, foi salvá-lo, mas acabou alvejado quando arrastava a vítima de ferimento a um lugar mais seguro para continuar a  prestar os primeiros socorros.

Unic Dar es Salaam

O cabo Ali Khamis Omary, da Tanzânia, foi salvo pelo soldado Chitete durante uma operação na República Democrática do Congo.

Responsabilidades

Ali Omary conta as várias experiências como soldado de paz que teve a partir desse episódio.

O sobrevivente destaca a paciência, a colaboração e a capacidade de executar com diligência as responsabilidades que seu país lhe deu.

Momentos após a homenagem, em Nova Iorque, a irmã do soldado Chancy Chitete disse o falecido servia pela segunda vez nas forças de paz em território congolês. Eunice Chipeta guarda na memória a imagem do trabalhador que tombou em combate.

Ela destaca que, mesmo sabendo o que se iria passar, ele se voluntariou para ir e ajudar a manter a paz para que a RD Congo seja melhor país para se viver.

Na cerimônia, o secretário-geral António Guterres disse que sentia orgulho por homenagear postumamente o soldado Chitete com a Medalha do Capitão Mbaye Diagne para Coragem Excepcional. O representante expressou gratidão à esposa, a filha bebé e aos familiares do soldado que estavam na sala.

Memória

O secretário-geral realçou “o heroísmo altruísta do soldado Chitete e seu sacrifício ajudaram as boinas-azuis a atingir seu objetivo e a expulsar a milícia, em uma ação que era vital para que a resposta ao ebola pudesse continuar”.

Para o chefe da ONU, Chitete salvou seus companheiros e ajudou as Nações Unidas a proteger os mais vulneráveis.

Guterres disse que o soldado Chitete foi o destinatário merecedor da homenagem da ONU, que o Conselho de Segurança instituiu em 2014 em memória do capitão senegalês Diagne e aos que prestem exemplo excepcional.

O militar que deu nome à medalha perdeu a vida em Ruanda em 1994, após salvar várias pessoas.

ONU/Eskinder Debebe

António Guterres deposita uma coroa de flores em homenagem aos soldados da paz falecidos em serviço.

Humanidade

O secretário-geral elogiou Chitete porque, segundo ele, não apenas seguiu os passos do Capitão Diagne, mas também compartilhou em seu coração a mesma humanidade.

Este ano, oito integrantes das forças de paz servindo na República Democrática do Congo e no Mali foram nomeados pelas missões de paz nesses países para receber o prêmio. Guterres reconheceu o heroísmo e a dedicação deles.

Para o chefe da ONU, esse número de indicações para receber a medalha em 2019  mostra a extraordinária coragem e o comprometimento dos soldados de paz da organização.

Mais de 3,8 mil integrantes das forças de paz perderam a vida em operações das Nações Unidas.

 

 

Source: Nações Unidas (UN) / . The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.GlobalDiasporaNews.com).