A Cidade do México, uma das capitais mais populosas do Ocidente, aprovou uma nova lei proibindo o uso de sacolas de plástico. A medida, que entrou em vigor em 1º de janeiro inaugura a intenção do país de banir plásticos descartáveis até 2021, de forma gradual.

Funis de papel, bolsas de tecido, palha e outros materiais reusáveis estão dando lugar às sacolas desde o início do ano.

Supermercados

Todos os dias, a Cidade do México produz 13 mil toneladas de lixo. Pela nova legislação, fica proibido vender sacolas plásticas nas lojas e supermercados.

As autoridades locais prometem banir também outros itens de plástico descartável como canudos, copos, talheres e bolas de encher.

A capital do México tem 12 milhões de moradores, mas a população chega até 21 milhões se consideradas as áreas ao redor da Cidade do México. É o maior centro urbano de língua espanhola e uma das maiores megalópoles do mundo, no grupo daquelas com mais de 10 milhões de habitantes. A legislação tenta banir a distribuição de bolsas, a produção e até mesmo a importação, em alguns casos.

Nova Iorque

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, estima que 10 milhões de bolsas plásticas são consumidas em todo o mundo, cada minuto.

Na América do Norte, apenas mais duas cidades tomaram a medida de proibir plástico descartável: Los Angeles, na Califórnia, que baniu a maioria das sacolas, à exceção das mais grossas, e Nova Iorque, que anunciou a proibição para março deste ano.

Na América Latina todas as megacidades estão proibindo as sacolas de plástico: Rio de Janeiro e São Paulo, no Brasil; Buenos Aires, na Argentina, enquanto Lima, no Peru, e Bogotá, na Colômbia, cobram impostos sobre a venda desses produtos.

Oceanos e lixões

A prefeita do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que a proteção do meio ambiente está no centro da medida contra o plástico descartável. Para ela, todos precisam entender que o desenvolvimento econômico é compatível com a proteção do ambiente, e que não existe nenhuma contradição nisso.

Espera-se que a quantidade de todo o lixo sólido de centros urbanos, no mundo, aumente para 3,4 bilhões de toneladas até 2050. O dado é do Banco Mundial. Até 12% desse lixo é plástico, e a maior parte acaba nos lixões ou nos oceanos.

Uma das vereadoras do Cidade do México, Alessandra Rojo, afirmou que se preocupa com as notícias de animais que morrem nos oceanos por causa da poluição e com o risco de extinção iminente de espécies por falta de ação.  Para ela, este alerta foi a base da legislação municipal contra os plásticos descartáveis.

Biodiversidade

O ecossistema marinho mexicano é uma das joias do país e com o aumento da opinião pública em defesa da biodiversidade, não foi difícil aprovar o projeto de lei, afirmou a representante do Pnuma no México, Dolores Barrientos. O Pnuma aconselhou vários estados mexicanos sobre a medida.

Ainda que não seja obrigatório, juridicamente, a proibição das sacolas plásticas já ocorreu em 27 dos 32 estados mexicanos, e outros analisam a proposta.

O apoio dos cidadãos é chave para que a lei seja implementada. Cerca de 200 organizações não-governamentais lançaram em 2019, a Aliança México sem Plástico. O objetivo é promover padrões de consumo sustentáveis.

Tóquio

Segundo o Pnuma, cada família na Cidade do México utiliza uma média de 650 sacolas plásticas por ano. O diretor comercial da rede de lojas Soriana, Humberto Fayad Wolff, contou que a medida foi bem recebida pelos clientes, que já tinham começado a reduzir voluntariamente desde 2005, quando a rede lançou sua primeira bolsa reciclável.

 

Ele afirma que as consequências dos plásticos descartáveis tornaram-se um grande desafio social para o México e para o mundo.

A produção global de plásticos atingiu 360 milhões de toneladas em 2010, e nos próximos 15 anos, este volume pode duplicar.

A cidade mais populosa do mundo, Tóquio, capital do Japão, com mais de 37 milhões de habitantes não proíbe as sacolas plásticas, mas já começou a debater um imposto sobre o consumo da mesma.

China e Índia

Cairo, Lagos e Kinshasa, consideradas as três maiores megacidades da África, tampouco proíbem as sacolas. O mesmo vale para Moscou. Já Paris e Istambul aprovaram restrições ao consumo.

Na Índia, a indústria dos três maiores centros urbanos: Nova Délhi, Mumbai e Calcutá, emprega cerca de 5 milhões de pessoas. Em agosto passado, o primeiro-ministro Narendra Modi prometeu dar o primeiro passo ao tornar a Índia livre dos plásticos descartáveis, mas sem nenhuma medida nacional anunciada.

Para o Pnuma, a grande virada na luta contra os plásticos descartáveis poderia vir da China. Com 1,4 bilhão de pessoas, o país continua a ser o maior gerador de embalagens de plástico.

O governo divulgou um plano para proibir bolsas não-biodegradáveis até o fim deste ano nas grandes cidades, e dois anos depois em todo o território.

A queima de plásticos libera gases tóxicos na atmosfera.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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